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Milei contraria Lula e defende ação dos EUA na Venezuela

Em discurso na cúpula do Mercosul, presidente da Argentina defendeu em público que governo norte-americano "liberte o povo venezuelano"

Javier Mileir Mercosul Foz do Iguaçu
Javier Mileir definiu Maduro como 'narcoterrorista' | Foto: Reprodução/YouTube governo Argentina

O presidente da Argentina, Javier Milei, discordou publicamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao tratar, neste sábado, 20, da situação da Venezuela durante a cúpula do Mercosul, em Foz do Iguaçu. Enquanto Lula afirmou que uma intervenção militar no país vizinho seria uma “catástrofe humanitária”, Milei manifestou apoio à pressão exercida pelos Estados Unidos (EUA) contra o governo de Nicolás Maduro, relata o Clarín.

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Em seu discurso, o presidente argentino afirmou que a Venezuela atravessa uma crise política, social e humanitária grave e voltou a classificar Maduro como “narcoterrorista”. Milei declarou que considera encerrada a possibilidade de uma postura diplomática moderada em relação ao regime chavista.

“A Argentina saúda a pressão dos EUA e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano”, afirmou Milei diante dos chefes de Estado do bloco. “O tempo de uma aproximação tímida nessa matéria se esgotou.”

Na sequência, o presidente argentino defendeu a atuação norte-americana na região e voltou a criticar o governo venezuelano. “A ditadura atroz e inumana do narcoterrorista, Nicolás Maduro, estende uma sombra escura sobre nossa região”, ressaltou Milei. “Esse perigo e essa vergonha não podem continuar existindo no continente ou acabarão nos arrastando a todos.”

Milei também pediu que os demais países do Mercosul adotassem a mesma posição e condenassem formalmente o regime venezuelano. “Instamos também todos os demais integrantes do bloco a secundar essa posição e condenar de forma contundente esse experimento autoritário.”

Apesar do apelo, o Brasil se recusou a apoiar uma resolução apresentada por Argentina e Paraguai que condenava violações de direitos humanos e ameaças à democracia na Venezuela. A proposta não foi aprovada.

Minutos antes do discurso de Milei, Lula havia alertado para os riscos de um conflito armado. “Uma intervenção armada seria uma catástrofe humanitária”, disse o presidente brasileiro durante a reunião. Lula afirmou ainda que a presença militar de potências externas volta a pressionar a América do Sul.

O presidente brasileiro declarou que tem mantido contatos com os governos dos EUA e da Venezuela e se colocou como interlocutor entre Washington e Caracas. Segundo Lula, “as verdadeiras ameaças” à soberania dos países da região “são as guerras, as forças antidemocráticas e o crime organizado”.

Milei pede libertação de policial

Durante sua fala, Milei também cobrou a libertação do policial argentino Nahuel Gallo, detido na Venezuela, e mencionou “o reconhecimento internacional à coragem de María Corina Machado”, líder da oposição ao governo Maduro, premiada com o Nobel da Paz.

Leia mais: “Trump diz que não descarta guerra contra a Venezuela”

A divergência entre os presidentes ocorre em meio ao aumento da tensão entre Estados Unidos e Venezuela. Na sexta-feira, Donald Trump afirmou que não descarta uma guerra com o país caribenho. Questionado em entrevista à NBC News se as operações em curso poderiam evoluir para um conflito armado, respondeu: “Não descarto, não”.

Trump também defendeu a ordem de bloqueio contra petroleiros sancionados e afirmou que as apreensões de navios próximos às águas venezuelanas continuarão.

Em resposta, o ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou que as forças de segurança do país estão preparadas para reagir. “Hoje a Venezuela é território de paz, assim deve continuar sendo, porque quando falamos de fusão popular, militar e policial, é porque nossos agentes hoje estão prontos e preparados para defender a pátria de qualquer ameaça, interna ou externa”, afirmou em evento oficial em Caracas.

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1 comentário
  1. Marcus Magalhães
    Marcus Magalhães

    Certíssimo o presidente Millei, aliás pôr todas a omissão e cumplicidade do desgoverno petralha em não reconhecer a fraude eleitoral que a situação chegou onde está. Agora é pólvora.

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