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Marcha contra o aborto reúne milhares de manifestantes nos EUA

Ato contou com o apoio de Donald Trump e do papa Leão XIV

Marcha pela Vida protesta contra o aborto nos EUA desde 1974 | Foto: Instagram/Divulgação
Marcha pela Vida protesta contra o aborto nos EUA desde 1974 | Foto: Instagram/Divulgação

Milhares de pessoas participaram da Marcha pela Vida, realizada em Washington, D.C., nesta sexta-feira, 23, em um ato anual contra o aborto que reuniu estudantes, famílias e grupos religiosos de diversas regiões dos Estados Unidos. A mobilização contou com mensagens de apoio do papa Leão XIV e do presidente Donald Trump, além de anúncios do governo norte-americano sobre políticas públicas relacionadas a natalidade.

Durante o ato, o vice-presidente JD Vance anunciou a ampliação da Política da Cidade do México, criada em 1984 pelo então presidente Ronald Reagan. A medida proíbe o uso de recursos federais dos EUA por organizações estrangeiras que promovam ou realizem abortos. De acordo com o anúncio, a política passará a impedir também o financiamento de grupos que promovam “ideologia de gênero” e programas de diversidade, equidade e inclusão (DEI).

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“O que acreditamos é que todo país do mundo tem o dever de proteger a vida”, afirmou Vance. “Estamos expandindo essa política para proteger a vida, combater a DEI e as ideologias radicais de gênero que se aproveitam de nossas crianças.”

A ampliação foi recebida com aplausos por participantes da marcha. “A nova expansão é um passo crítico para assegurar que dólares dos contribuintes não financiem o aborto internacionalmente”, afirmou Elyssa Koren, diretora jurídica de comunicação da Aliança Internacional em Defesa da Liberdade.

A Marcha pela Vida é realizada anualmente em janeiro, em Washington, desde 1974. A primeira edição ocorreu um ano depois da decisão da Suprema Corte norte-americana no caso Roe v. Wade, que legalizou o aborto em todo o país. O objetivo inicial da marcha era pressionar o Congresso a encontrar uma solução legislativa para reverter a decisão.

Cinco décadas depois, a Suprema Corte anulou a medida e ampliou a autonomia dos Estados para legislar sobre o aborto. Com isso, segundo o site oficial do evento, o foco da Marcha pela Vida passou a ser “não apenas mudar leis nos níveis estadual e federal, mas mudar a cultura para, em última instância, tornar o aborto impensável”.

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Em mensagem divulgada pelo Vaticano, o primeiro papa norte-americano enviou “calorosas saudações” aos participantes da marcha e afirmou estar espiritualmente próximo dos manifestantes. O pontífice declarou apreciar o que chamou de “testemunho público eloquente” em defesa da ideia de que a proteção do direito à vida constitui o fundamento indispensável de todo outro direito humano.

O papa incentivou especialmente os jovens a seguirem trabalhando para que a vida seja respeitada e protegida em todas as suas etapas, por meio de esforços em diferentes níveis da sociedade, inclusive no diálogo com líderes civis e políticos. Durante a vigília da marcha, ele ainda destacou que defender as crianças não nascidas representa o cumprimento do mandamento cristão de servir aos mais vulneráveis e ao “menor de nossos irmãos e irmãs”.

Trump também enviou uma declaração aos participantes. Em sua mensagem, ele afirmou: “Por 53 anos, estudantes, famílias, patriotas e fiéis vieram a Washington de todos os cantos do país para defender o valor infinito e a dignidade dada por Deus a toda vida humana”. Trump lembrou que foi “o primeiro presidente da história a comparecer pessoalmente a esta marcha” e disse que, desde então, houve “avanços sem precedentes para proteger a vida inocente e apoiar a instituição da família”.

Trump destacou ainda que, durante seu primeiro mandato, indicou juízes que defendiam “interpretar a Constituição como ela foi escrita” e afirmou que, por causa disso, “o movimento pró-vida conquistou a maior vitória de sua história”. Segundo ele, o trabalho agora seria “reconstruir uma cultura que apoie a vida em cada Estado, em cada comunidade, em cada parte de nossa bela nação”.

Leia também: “Uma ode à vida e às leis”, artigo de Ana Paula Henkel sobre a revogação da Roe v. Wade publicado na Edição 119 da Revista Oeste

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