O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta terça-feira, 3, o envio de reforços militares ao Oriente Médio. Entre as medidas está o deslocamento do porta-aviões Charles de Gaulle, acompanhado por sua escolta de fragatas, já em rota para o Mediterrâneo.
Em pronunciamento televisionado, Macron afirmou ter determinado que o navio, seus meios aéreos e a frota de apoio seguissem para a região. Ele também informou o envio de caças Dassault Rafale, sistemas de defesa antiaérea e aeronaves de radar, mobilizados nas últimas horas.
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Para Chipre, a França enviará a fragata Languedoc e equipamentos antiaéreos. A base britânica de RAF Akrotiri foi atingida por um drone no território cipriota. Diante do episódio, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou o envio de um navio de guerra e helicópteros para a área.

Macron também comentou a ameaça do Irã de atacar embarcações que cruzem o Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente. Depois do fechamento da região por Teerã, grandes companhias de navegação suspenderam suas operações no local.
Nesse contexto, o presidente francês defendeu a formação de uma coalizão internacional, inclusive com meios militares, para assegurar a proteção das principais rotas marítimas da economia global. Segundo ele, a França abateu drones “em legítima defesa” desde as primeiras horas do conflito, e duas bases francesas sofreram ataques limitados, com danos materiais.
Macron amplia investimento em armas nucleares
Na última segunda-feira, 2, Macron já havia anunciado a ampliação do investimento em armamento nuclear. Durante discurso na base de submarinos nucleares de Île Longue, ele afirmou que ordenou o aumento do número de ogivas nucleares — atualmente inferior a 300 — no primeiro reforço desse tipo desde pelo menos 1992, sem detalhar quantidades.

O presidente justificou a decisão como parte da modernização do arsenal francês e da manutenção do poder de dissuasão do país. Ele ressaltou que o objetivo é garantir que a capacidade nuclear francesa permaneça eficaz no presente e no futuro.
O discurso também buscou situar o papel das armas nucleares francesas na segurança europeia, diante das tensões recentes com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Líderes do continente têm demonstrado preocupação com o compromisso norte-americano de proteger aliados sob o chamado guarda-chuva nuclear, especialmente os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A França é a única potência nuclear da União Europeia. Macron afirmou que, em caso de uso de seu arsenal, nenhum Estado estaria plenamente protegido ou conseguiria se recuperar dos efeitos.
Alguns países europeus já aceitaram a proposta francesa de discutir a dissuasão nuclear e até participar de exercícios conjuntos. O chanceler alemão, Friedrich Merz, confirmou recentemente conversas iniciais com Paris e mencionou a possibilidade de aeronaves alemãs transportarem bombas nucleares francesas.
França e Reino Unido também firmaram, em julho, uma declaração conjunta que permite a coordenação de suas forças nucleares, embora independentes. O Reino Unido é o único outro país europeu com capacidade de dissuasão nuclear.
Macron reiterou, por fim, que qualquer decisão sobre o uso de armas nucleares continuará sendo prerrogativa exclusiva do presidente francês. As informações são das agências AP e AFP.
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