Conflitos internos e disputas de liderança resultaram na derrota da esquerda boliviana nas últimas eleições, conforme declarou o presidente Luis Arce. Ele atribuiu o insucesso à atuação do ex-presidente Evo Morales, que teria priorizado seus interesses pessoais em detrimento da unidade do grupo.
Em entrevista publicada na segunda-feira 29, Arce explicou que a popularidade de seu governo caiu devido à “participação ativa de Evo Morales”.
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“Desde que chegou da Argentina, Evo Morales começou a sua tarefa e campanha para ser o candidato em 2025, mas fez isso desacreditando, atacando e caluniando o governo”, afirmou Arce ao jornal Folha de S.Paulo.
Depois de retornar do autoexílio em 2020, Morales passou a ser um ponto de discórdia entre os apoiadores do MAS (Movimento ao Socialismo), partido que acabou excluindo tanto ele quanto Arce de sua lista de filiados.
A crise interna agravou-se, levando à expulsão do presidente e à proibição da candidatura de Morales.
Ruptura dentro do MAS e consequências eleitorais
Atualmente, Morales está foragido em Cochabamba e responde a acusações de estupro de vulnerável e tráfico de pessoas.
O presidente Arce relembrou que Morales “adotou uma estratégia de desgastar o governo com o pensamento de que seria o candidato que todos queriam, mas se equivocou, e os resultados das eleições mostram que, divididos, perdemos tudo”.
No primeiro turno das eleições presidenciais da Bolívia, no mês passado, Eduardo del Castillo, representante do MAS, obteve pouco mais de 3% dos votos. Andrónico Rodríguez (Aliança Popular), outro nome da esquerda, alcançou cerca de 8%. Já os votos nulos, estimulados por Morales, corresponderam a 19% do total.
“Fomos divididos pela ambição de Evo Morales”
Arce enfatizou que “fomos divididos pela ambição de Evo Morales, que sempre quis desde o início ser o candidato, apesar de saber que, constitucionalmente, não podia”. Segundo Arce, Morales também teria feito acordos com a direita na Assembleia Legislativa para barrar projetos de lei, gerando dificuldades econômicas ao país.
“Ele negociou com a direita na Assembleia para que não fossem aprovadas leis, especialmente econômicas, o que, no final, prejudicou não apenas o governo, mas o povo boliviano que começou a sofrer as consequências do estrangulamento financeiro que a direita fez em um pacto de sangue com o ‘evismo’ na Assembleia Legislativa Plurinacional”, declarou Arce.
“Evo Morales foi a causa da desintegração da esquerda e da perda das eleições”, continuou o presidente. “Evo é um populista. O resto de nós, não. A ambição de uma pessoa é que nos levou a esse problema.”
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O futuro político da Bolívia
No próximo dia 19, o país deve escolher entre Rodrigo Paz (Partido Democrata Cristão, centro) e Tuto Quiroga (Aliança Livre, centro-direita) para ocupar o cargo mais alto da Bolívia.
Paz, de 58 anos, é senador e ex-prefeito de Tarija e defende reformas institucionais e maior formalização econômica.
Quiroga, com 65 anos e experiência como presidente interino entre 2001 e 2002, propõe eliminar impostos sobre dividendos e gerar 750 mil empregos durante um mandato de cinco anos.
A definição do novo presidente ocorre depois de quase duas décadas de hegemonia da esquerda no país.
Leia também: “A intolerância nas universidades”, artigo de Ubiratan Jorge Iorio, publicado na Edição 289 da Revista Oeste







































Aos poucos o populismo naufraga nas próprias ondas