O Parlamento do Vietnã elegeu por unanimidade, nesta terça-feira, 7, o secretário-geral do Partido Comunista, To Lam, como presidente do país para um mandato de cinco anos. A decisão consolida em uma única figura dois dos principais cargos do sistema político vietnamita, o que faz dele o líder mais poderoso do país em décadas.
A escolha marca uma ruptura com o modelo tradicional de liderança coletiva do Vietnã e pode, segundo analistas ouvidos pela agência Reuters, levar a um maior grau de centralização de poder — com riscos de autoritarismo.
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De acordo com o Parlamento, os 495 deputados presentes na sessão aprovaram a indicação do Partido Comunista, sem votos contrários. Cinco parlamentares estavam ausentes. A nomeação ocorre poucos meses depois de To Lam garantir um segundo mandato como secretário-geral, em janeiro.

Em discurso transmitido pela televisão estatal, o novo líder afirmou ser uma honra acumular os dois cargos e prometeu um “novo modelo de crescimento, com ciência, tecnologia, inovação e transformação digital como diretrizes primárias”. Ele afirmou como prioridades a estabilidade política, o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.
To Lam já havia acumulado temporariamente os dois cargos diante da morte do então líder Nguyen Phu Trong, em 2024. Mesmo depois de ceder a Presidência ao general Luong Cuong, continuou atuando com protagonismo em agendas internacionais.
Na economia, o político tem defendido reformas para reduzir a dependência da indústria de baixo custo e buscar crescimento acelerado, com metas ambiciosas de expansão. Suas políticas, no entanto, geraram reações mistas, com elogios de investidores estrangeiros, mas também preocupações sobre riscos de favorecimento, corrupção e bolhas financeiras.

Na política externa, To Lam deve manter a chamada “diplomacia do bambu”, estratégia que busca equilibrar relações com grandes potências, sem mudanças significativas, segundo o pesquisador Khang Vu.
Parlamento do Vietnã elege novo primeiro-ministro
Também nesta terça-feira, o Parlamento elegeu o ex-presidente do Banco Central Le Minh Hung como novo primeiro-ministro. Aos 55 anos, ele substitui Pham Minh Chinh e assume com a missão de sustentar o crescimento econômico, com meta de ao menos 10% ao ano até 2030.
Em seu discurso, Le Minh Hung afirmou que buscará crescimento sustentável e maior eficiência administrativa, em um governo que tenta combinar estabilidade política com ambição econômica elevada.
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