O papa Leão XIV defendeu, neste domingo, 30, a proposta de criar um Estado palestino. Em conversa com jornalistas, durante um voo entre Turquia e Líbano, o pontífice definiu a medida como a única saída possível para encerrar a guerra na Faixa de Gaza.
“Todos sabemos que, neste momento, Israel ainda não aceita essa solução, mas nós a vemos como a única solução que poderia oferecer uma saída para o conflito que vivem continuamente”, afirmou o papa, conforme publicado pelo site Vatican News. “Somos também amigos de Israel e buscamos, com ambas as partes, ser uma voz mediadora que possa ajudar a aproximar-nos de uma solução com justiça para todos.”
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O chefe do Vaticano relatou ter abordado o tema em encontro recente com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. “Falei sobre isso com o presidente Erdogan; ele certamente concorda com essa proposta. A Turquia tem um papel importante que poderia desempenhar nisso.”

Nesta segunda-feira, 1º, milhares de pessoas se reuniram nas montanhas ao norte de Beirute, capital libanesa, para receber o papa, que dedicou orações à paz no país e em toda a região. O pontífice visitou o Mosteiro de Annaya, local de peregrinação que guarda o túmulo de São Charbel, e foi saudado com aplausos e arroz lançados pela multidão ao longo do trajeto sinuoso percorrido pelo papamóvel.
“Para o mundo, pedimos paz. Nós a imploramos especialmente para o Líbano e para todo o Levante”, afirmou Leão XIV, segundo a agência AFP. É a primeira viagem internacional do pontífice desde que assumiu o papado.
São Charbel, canonizado em 1977, é um santo popular representado em residências, veículos e locais de trabalho em todo o Líbano. Durante a visita, música e sinos celebravam a presença do papa, enquanto milhares de fiéis, em meio a forte esquema de segurança, expressaram devoção. “São Charbel é como um pai para mim e é o maior santo na minha vida”, disse a esteticista Jihane Daccache em frente ao mosteiro, segundo a AFP.
Apesar da chuva, multidões lotaram as ruas desde cedo para saudar o papa, com bandeiras do Líbano e do Vaticano. O país enfrenta uma crise econômica que já dura seis anos, atribuída à corrupção e má gestão governamental.
Há apreensão sobre a possibilidade de novo conflito entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah, mesmo depois de um cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Recentemente, Israel intensificou suas ações militares, apesar da trégua, enquanto o governo libanês encara pressão dos EUA para desarmar grupos apoiados pelo Irã.
Durante sua estadia, Leão XIV planeja discursar a bispos e religiosos em Harissa, onde fica a estátua de Nossa Senhora do Líbano, e liderar um evento inter-religioso na Praça dos Mártires, no centro da capital, reunindo representantes das 18 denominações religiosas reconhecidas oficialmente no país.

O papa também terá um encontro com jovens no patriarcado da Igreja Maronita, em Bkerke, nos arredores de Beirute. As autoridades decretaram feriado nesta segunda e na terça-feira 2, com adoção de medidas de segurança como bloqueio de vias e proibição de fotos com drones para garantir a segurança da visita.
Leão XIV fez um apelo para que os líderes libaneses atuem “com compromisso e dedicação a serviço” do povo, destacando a necessidade de reconciliação em um país ainda marcado pelas divisões da guerra civil de 1975 a 1990. “A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas”, disse o papa. Ele mencionou o “êxodo de jovens e famílias que buscam um futuro em outro lugar”, segundo a AFP.
Leão XIV rejeitou classificação da guerra em Gaza como “genocídio”
Em 22 de setembro, o papa afirmou que, oficialmente, a Santa Sé não considera que a guerra na Faixa de Gaza possa ser classificado como genocídio. Segundo o pontífice, embora o termo venha sendo usado com frequência crescente em relação à tragédia humanitária na região, “não podemos fazer nenhuma declaração nesse momento sobre isso”.
A fala marcou a primeira entrevista de Leão XIV desde sua eleição para líder da Igreja Católica. O papa explicou que há uma definição técnica do conceito. “A palavra genocídio está sendo usada cada vez mais”, afirmou. “Há uma definição muito técnica sobre o que genocídio pode ser, mas cada vez mais pessoas estão levantando a questão, incluindo dois grupos de direitos humanos em Israel que fizeram essa declaração.”
Apesar de descartar o uso oficial do termo, Leão XIV demonstrou preocupação com a situação humanitária no enclave palestino.






































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