publicidade
Mundo

Klaus Schwab é acusado de má conduta e uso indevido de recursos

Relatório interno cita assédio, favorecimento à mulher dele e interferência política

Klaus Schwab durante conferência do Fórum Econômico Mundial
Schwab nega acusações contra ele | Foto: Moritz Hager/Fórum Econômico Mundial

Uma investigação interna do Fórum Econômico Mundial (WEF, na sigla em inglês) mostrou que o fundador da entidade, Klaus Schwab, manteve um padrão de má conduta nos últimos dez anos. O relatório preliminar indica assédio moral, tratamento inadequado a funcionárias e uso indevido de recursos da organização por ele e sua mulher, Hilde Schwab.

A apuração começou em abril, depois da denúncia de um delator. Documentos confidenciais revisados pelo jornal estrangeiro Wall Street Journal e por fontes ligadas ao caso revelam que Schwab enviou mensagens sugestivas a uma executiva sênior. Em um e-mail de junho de 2020, escrito tarde da noite, Schwab perguntou: “Você sente que estou pensando em você?”.

Receba nossas atualizações

Saiba mais: “Fórum Econômico Mundial abre investigação sobre Klaus Schwab”

Schwab, de 87 anos, deixou a direção do WEF durante o feriado da Páscoa e não ocupa mais cargo na entidade. Por meio de um porta-voz, ele rejeitou as conclusões da investigação, disse que sempre tratou mulheres com respeito e negou ter se beneficiado financeiramente. “Durante toda essa jornada, Hilde e eu nunca usamos o Fórum para enriquecimento pessoal”, declarou.

Em seu comunicado final, Schwab declarou: “Mesmo não fazendo mais parte da organização, espero profundamente que o Fórum continue sendo uma ponte confiável em um mundo dividido”.

Gastos de mais de US$ 1 milhão e presentes de luxo

O relatório diz que Schwab e Hilde acumularam mais de US$ 1,1 milhão em despesas de viagem suspeitas. Parte desse valor cobriu passagens de primeira classe para Hilde, que o acompanhava em viagens do Fórum sem exercer função oficial.

Os investigadores também apontaram cerca de US$ 63 mil em viagens a destinos como Veneza, Miami, Seychelles e Marrocos, com pouca ou nenhuma evidência de atividades profissionais. Além disso, Schwab teria recebido presentes, como conjuntos de chá russos, abotoaduras personalizadas da Tiffany e casacos de pele, em violação às políticas internas.

Schwab
Klaus Schwab e Hilde Schwab | Foto: Reprodução/ Redes sociais

O relatório ainda cita 14 sessões de massagem pagas com cartões corporativos ou de funcionários. Schwab declarou que sempre orientou seus assistentes a cobrarem dele os valores correspondentes às massagens.

Segundo o relatório, o casal utilizou motorista custeado pelo Fórum em férias e incluiu na contabilidade institucional uma linha de telefone residencial e o celular da empregada doméstica em Genebra.

Schwab afirmou que o motorista também prestava serviço de segurança e que o uso se justificava por razões de proteção. Disse ainda que os gastos com telefone se explicam pela quantidade de compromissos do Fórum realizados em sua residência.

O escritório suíço Homburger conduz a investigação, que deve apresentar a versão final até o fim de agosto ao conselho do Fórum e também às autoridades suíças. O grupo também estuda encaminhá-lo ao Ministério Público.

Schwab disse que seu salário era de 1 milhão de francos suíços (equivalente a cerca de US$ 1,3 milhão) por ano, além de uma verba adicional de 100 mil francos para jantares e eventos com convidados em sua residência. Ele afirmou que confiava aos assistentes a separação entre despesas pessoais e profissionais, e prometeu reembolsar o Fórum por eventuais gastos indevidos.

Relatório diz que Schwab discriminava mulheres

A denúncia deste ano ocorreu quase um ano depois do Wall Street Journal revelar que o Fórum mantinha uma cultura tóxica para mulheres e funcionários negros. A nova apuração encontrou mais evidências nessa linha. Investigadores relataram que Schwab teria afastado mulheres grávidas ou com mais de 40 anos, prejudicando suas carreiras e saúde mental.

Schwab declarou que sempre tratou mulheres com respeito. Sobre o e-mail de 2020 enviado a uma funcionária, afirmou que esse tipo de comunicação “não reflete meu caráter”. Acrescentou que tratava o Fórum como uma família e que se via como “uma figura paterna para muitos jovens funcionários”.

Leia também:

Mais de 50 pessoas foram entrevistadas até o início de julho, entre atuais e ex-funcionários. A nova investigação teve início depois que conselheiros do Fórum informaram a Schwab que abririam apuração sobre novas denúncias que envolviam ele e sua mulher. Schwab reagiu com firmeza, disse que já havia passado por uma investigação anterior e ameaçou investigar os próprios conselheiros e os delatores.

A investigação anterior, conduzida pelo ex-procurador-geral dos Estados Unidos Eric Holder, levou a mudanças na estrutura da organização e à saída de executivos. No entanto, Schwab não foi responsabilizado. Na ocasião, o Fórum declarou que as acusações contra ele “não foram comprovadas”.

Parte do escândalo se tornou pública, o que gerou constrangimento para a entidade. Schwab era considerado o principal porta-voz de uma organização que sempre defendeu boas práticas de governança e responsabilidade social.

Manipulação de rankings globais

O novo relatório também afirma que Schwab interferiu diretamente no Relatório de Competitividade Global, uma das publicações mais importantes do Fórum, que classifica países com base em critérios como estabilidade financeira e combate à corrupção.

Em um dos episódios, Schwab pressionou a equipe para melhorar a nota da Índia, por conta de sua relação próxima com o primeiro-ministro indiano. Também pediu a redução da pontuação do Reino Unido, com receio de que os defensores do Brexit comemorassem a ascensão do país no ranking.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Schwab disse, por meio do porta-voz, que só intervinha nas pesquisas do Fórum “quando necessário para proteger a integridade” dos relatórios.

Leia mais sobre:

1 comentário
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Boneco dos globalistas ,usufrui dos dólares à disposição para uso da família.Enquanto isso,vai provocando discórdia e promovendo o clube de Davos.

Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.