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Justiça do Egito ordena a devolução de criança brasileira sequestrada pelo pai

O caso mobilizou instâncias judiciais internacionais até o desfecho, anunciado recentemente, favorável à mãe

Tanto Karin Aranha quanto o filho Adam estão no Egito | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal
O caso de Karin Aranha é um entre dezenas que chegam em forma de denúncia ao Itamaraty | Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Depois de uma longa espera de três anos, a Justiça egípcia determinou que Adam, uma criança brasileira levada ao Egito sem autorização da mãe, deve retornar ao Brasil.

O caso mobilizou instâncias judiciais internacionais até o desfecho, anunciado recentemente, favorável à mãe.

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Adam tinha 3 anos e 8 meses quando foi retirado do país por Ahmed Tarek Mohamed, o pai, egípcio, enquanto Karin Aranha, sua mãe, trabalhava na Inglaterra para sustentar a família. Ao saber do ocorrido, ela iniciou um processo judicial para recuperar a guarda do filho.

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No Brasil, Karin obteve rapidamente a guarda de Adam. Porém, as leis do Egito não consideraram crime a conduta do pai. A situação mudou depois que os advogados conseguiram incluir Ahmed na lista de procurados da Interpol fora do território egípcio.

A decisão egípcia tomou como base decisões judiciais brasileiras e o registro de Adam como desaparecido na Interpol.

Karin aguarda agora os procedimentos legais para buscar o filho, enquanto seus representantes jurídicos estudam pedir a perda do poder familiar de Ahmed, com o objetivo de evitar novos episódios semelhantes.

Mãe de Adam caiu no “golpe do noivo”

O caso de Karin Aranha é um entre dezenas que chegam em forma de denúncia ao Itamaraty. A prática de homens estrageiros de ter filhos com brasileiras e depois sequestrar a própria prole é conhecida como “golpe do noivo”.

De acordo com o Itamaraty, muitos dos acusados mudam de comportamento durante o casamento, tornando-se agressivos e controladores. É comum desaparecerem depois de obter o visto brasileiro.

A Revista Oeste publicou uma reportagem especial contando a história de Karin e Adam. Leia: “O filho roubado“.

Pai da criança vive livre no Egito

Conforme reportagem de Oeste, Ahmed vive livre no Egito. Compareceu a pelo menos duas audiências no Cairo, mas nem a Interpol nem as autoridades brasileiras compareceram.

“Ele teve coragem de entrar num tribunal, e ninguém o prendeu”, diz Karin. “Ele está ao alcance da Justiça, mas o mundo finge não ver.”

Karin vendeu todos os pertences e arrecadou doações para financiar sua ida para a capital egípcia em julho de 2024. Ela se converteu ao islamismo, aprendeu árabe e alugou um pequeno quarto.

Leia também: “O Brasil e as crianças que não quis defender”, artigo de Ana Paula Henkel publicado na Edição 299 da Revista Oeste

Durante o processo, a Justiça egípcia negou a guarda de Adam a Karin por causa de uma fotografia antiga, em que a brasileira aparece ao lado de uma amiga em um restaurante.

Ela brindava o aniversário da colega com uma taça de água com gás. A Corte interpretou a cena como apologia ao consumo de bebida alcoólica. Isso a tornava indigna aos olhos dos muçulmanos.

Essa situação fez com que a guarda de Adam fosse para a avó paterna. Desde então, Karin travou uma guerra desigual: sozinha num país estrangeiro, sem renda, com um visto que a proíbe de trabalhar e impedida de ver o filho.

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