A jornalista norte-americana Shelly Kittleson, sequestrada em Bagdá, Iraque, em 31 de março por uma milícia xiita iraquiana alinhada ao Irã, foi libertada nesta terça-feira, 7, segundo confirmaram ao site Al-Monitor dois funcionários do governo. Kittleson atuava por este site, sediado em Washington, no momento do sequestro.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Receba nossas atualizações
As autoridades falaram sob condição de anonimato e não detalharam as circunstâncias nem eventuais condições que levaram à libertação. Um deles afirmou que havia relatos ainda não verificados que indicavam que Kittleson estaria, na terça-feira, nas dependências do gabinete do primeiro-ministro do Iraque, Mohammed Shia’ al-Sudani, eleito pelo Parlamento em outubro de 2022. Um de seus objetivos era equilibrar as relações do Iraque com os Estados Unidos e o Irã.
Mais cedo naquele dia, a milícia terrorista Kataib Hezbollah (em tradução do árabe, Brigadas do Hezbollah) havia divulgado uma mensagem no Telegram em que afirmava que decidiu libertar a jornalista desde que ela deixasse o país imediatamente. No comunicado, o grupo atribuiu a decisão ao que chamou de “apreciação pelas posições patrióticas” do primeiro-ministro.
A Kataib Hezbollah é uma milícia xiita iraquiana ligada ao Irã, considerada uma das facções armadas mais poderosas do país. Integra o chamado “eixo de resistência” pró-iraniano no Oriente Médio.
A milícia surgiu por volta de 2007, durante a guerra do Iraque, depois da invasão liderada pelos EUA em 2003, ocorrida para derrubar a ditadura do sunita Saddam Hussein (1937-2006). O grupo foi criado com apoio da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irã, especialmente da Força Quds, responsável por operações externas iranianas.
Apesar das declarações do Kataib Hezbollah, o governo dos EUA e o governo iraquiano não haviam confirmado oficialmente a libertação de Kittleson.
Jornalista dos EUA teria sido para reduto xiita no Iraque
Alex Plitsas, amigo da jornalista e designado como seu principal ponto de contato nos EUA, afirmou em uma publicação na rede social X que tinha conhecimento do comunicado divulgado pela milícia. Ainda assim, ressaltou que Washington não havia confirmado formalmente que a libertação de fato ocorreu.
Leia também: “A voz da liberdade”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 309 da Revista Oeste
A emissora Alhurra, sediada em Washington, citou duas fontes de inteligência iraquianas não identificadas ao relatar que Kittleson teria sido levada para o distrito de Jurf al-Sakhar, na província de Babil. A região é conhecida como um reduto de milícias xiitas apoiadas pelo Irã e também funciona como centro de contrabando de petróleo e outras atividades ilícitas.
Segundo a reportagem, o local também tem servido como base para ataques contra forças norte-americanas no Iraque. Por esse motivo, passou a ser alvo de ações militares dos EUA desde o início da guerra que envolve Estados Unidos, Israel e Irã.
De acordo com a Alhurra, há indícios de que a jornalista tenha sido mantida ali com o objetivo de funcionar como uma espécie de “escudo humano”, numa tentativa de dissuadir novos bombardeios na área.
A emissora também informou que o Kataib Hezbollah estaria pressionando pela libertação de quatro de seus integrantes. Eles foram detidos pelas autoridades iraquianas sob acusação de participação em ataques realizados contra a vizinha Síria.






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.