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Itamaraty se cala sobre repressão aos protestos no Irã

Governo Lula não divulgou nota nem fez declaração pública, apesar dos mais de 500 manifestantes mortos e mais de 10 mil presos

O presidente Lula e o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, em 2010 | Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Lula e o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, em 2010 | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Até esta terça-feira, 13, governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se manifestou sobre a repressão do regime iraniano contra manifestantes. O Itamaraty não divulgou nota nem fez declarações públicas, mesmo depois da divulgação de números que apontam uma escalada sem precedentes da violência no país.

Uma autoridade iraniana informou à agência Reuters que os protestos já ultrapassaram 2 mil mortos. Do total, ao menos 505 seriam manifestantes e 133 integrantes das forças militares ou de segurança do regime. A repressão também resultou na prisão de 10,7 mil pessoas desde o início dos protestos, segundo autoridades iranianas.

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A onda de manifestações é considerada a maior desde 2009 e ocorre em meio à grave crise econômica. Os protestos começaram há duas semanas, por causa da disparada dos preços de alimentos básicos depois que o Banco Central do Irã encerrou um programa que permitia a importadores acessar dólares mais baratos.

Reação internacional contrasta com silêncio do Brasil

Enquanto o governo brasileiro permanece em silêncio, líderes europeus e potências ocidentais se manifestaram publicamente contra a repressão.

O secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, afirmou que houve uma “repressão mortal” contra os manifestantes. “A estabilidade regional e global está em jogo”, escreveu, ao anunciar a convocação de uma reunião dos Estados-membros para discutir medidas de defesa dos direitos humanos.

O primeiro-ministro da Holanda, Dick Schoof, declarou que “os homens e mulheres corajosos nas ruas das cidades iranianas merecem nosso apoio”. Além disso, afirmou que seu país “exorta o regime iraniano a cessar a violência, libertar aqueles que foram presos injustamente e restabelecer o acesso à internet”.

O premiê da Irlanda, Micheál Martin, afirmou que condena a “repressão brutal e violenta dos manifestantes, que deixou centenas de civis mortos no Irã nos últimos dias”. Ele também pediu que Teerã “respeite os direitos de todos os seus cidadãos”.

O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, disse estar “profundamente preocupado” e que seu país “condena o uso grave e desproporcional da violência”.

Portugal declarou que “condena veementemente a violência usada contra os manifestantes, que já causou centenas de mortes”, enquanto a Suíça afirmou acompanhar “com grande preocupação” as prisões e mortes e pediu o fim da repressão.

O governo britânico afirmou que o Reino Unido “condena veementemente a terrível violência usada pelo regime iraniano contra aqueles que exercem seu direito ao protesto pacífico”.

Além disso, a França, Alemanha e Reino Unido divulgaram um comunicado conjunto afirmando que “condenam veementemente o assassinato de manifestantes” e que as autoridades iranianas “devem permitir as liberdades de expressão e de reunião pacífica”.

Posição da União Europeia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a União Europeia “apoia integralmente” os manifestantes. “Nos solidarizamos com o povo do Irã, que marcha bravamente em busca de sua liberdade”, escreveu.

Já a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, afirmou que a resposta das forças de segurança foi “desproporcional” e escreveu que “o encerramento da internet acompanhado de repressão violenta revela um regime com medo do seu próprio povo”.

EUA e Ucrânia também condenam violência no Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Washington reagirá caso o regime iraniano use força letal contra civis. “Se o Irã matar violentamente manifestantes pacíficos, os Estados Unidos da América virão em seu socorro”, escreveu. Já o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que “os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que a repressão interna do Irã está ligada ao comportamento do país no cenário internacional. “A opressão dos seus próprios cidadãos e o apoio à guerra da Rússia fazem parte da mesma política de violência e desrespeito pela dignidade humana”, escreveu.

Enquanto isso, as autoridades iranianas prometem endurecer ainda mais a repressão. O procurador-geral Mohammad Movahedi Azad afirmou que os processos contra os manifestantes serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”.

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5 comentários
  1. WILLIAM S.
    WILLIAM S.

    Só soltar a nota pra globo, uol, cnn e outros penduricalhos do governo começarem a chamar o Irã de democracia diversa e inclusiva.
    Artistas vão chorar nas redes, protestos, mst prometendo lutar pela liberdade e assim vai… Kkkkkk

  2. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Claro, se pudessem fariam o mesmo aqui….ditadores

  3. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    COVARDE !
    NA VERDADE ELE APÓIA O GOVERNO DO IRÂ , POIS SÃO TODOS GOLPISTAS….

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    NuNCA O lULA concede entrevista a ´jornalistas independentes. Muitas perguntas, sobre diversos assuntos não se tem a palavra dele. Este aspecto iraniano é outro. Ele deveria mandar o Alckmin para negociar a paz.

  5. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Da Silva é um nada. Enquanto estivermos neste regime de toga que se assemelha ao dos aiatolás, será assim. Só que as sanções de 25% serão somadas às que já estão em curso.

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