O regime do Irã endureceu o discurso contra os Estados Unidos diante da crescente tensão provocada pelas manifestações no país. Nesta segunda-feira, 12, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que a situação interna está “sob controle total” e atribuiu os episódios mais violentos à influência de Donald Trump.
Segundo Araqchi, a ameaça de intervenção feita pelo presidente norte-americano incentivou ações “terroristas” contra populares e forças de segurança islâmicas. O chanceler afirmou que Teerã permanece preparado tanto para a guerra quanto para uma eventual negociação com Washington.
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Na quinta-feira 8, Trump informou que os EUA poderiam intervir caso o regime iraniano reprimisse os protestos com violência.
“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os golpearemos muito duro”, disse o republicano.
Já no sábado 10, o norte-americano voltou ao tema e declarou que o Irã está “buscando a liberdade” e que os EUA estão “prontos para ajudar”.
Irã mistura apelo à negociação com discurso de guerra
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo, 11, que o regime está aberto ao diálogo com os manifestantes, mas acusou “terroristas e badernistas” de se infiltrarem nos atos. Ele também responsabilizou os EUA e Israel por incitarem a instabilidade no país.
Ahmad-Reza Radan, chefe da polícia iraniana, admitiu que as forças islâmicas “escalaram o nível de confronto contra os manifestantes”. Por sua vez, a Guarda Revolucionária classificou a defesa do regime como “inegociável”.
Ao mesmo tempo, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, advertiu que qualquer ofensiva ao Irã teria resposta imediata. Nesse sentido, ele ameaçou atingir Israel e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, caso os EUA decidam bombardear o país.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados, assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse Qalibaf.
ONGs denunciam massacre e cobram reação internacional
O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, informou que 538 pessoas morreram desde o início dos protestos, entre elas 490 manifestantes e 48 policiais. A organização também estima que mais de 10 mil pessoas estejam presas.
Outras ONGs confirmaram relatos de que agentes iranianos abriram fogo contra civis. No entanto o país segue com a internet cortada, o que dificulta a verificação dos dados. O regime de Teerã não tem divulgado balanços oficiais da repressão e insiste em acusar os EUA e Israel por suposta infiltração nos protestos.
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Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, pediu atuação “decisiva” das Nações Unidas e da comunidade internacional para que, “dentro da estrutura do direito internacional”, evitem “o assassinato em massa de manifestantes” no país.
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