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Irã admite prisão de crianças em meio a protestos nacionais

Entidades falam em centenas de estudantes detidos e denunciam endurecimento do regime

Aiatolá Ali Hosseini Khamenei e os protestos contra o governo do Irã | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais
Aiatolá Ali Hosseini Khamenei e os protestos contra o governo do Irã | Foto: Montagem sobre reprodução/Redes sociais

O governo do Irã reconheceu pela primeira vez que crianças e adolescentes estão entre os detidos na repressão aos protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas. A admissão ocorreu em meio ao aumento da pressão internacional e a denúncias recorrentes de violações de direitos humanos.

Segundo autoridades parlamentares, a ditadura prendeu estudantes com menos de 18 anos durante as manifestações. O governo, no entanto, não informou quantos menores estão nessas condições nem esclareceu por quanto tempo eles permanecerão sob custódia das forças de segurança.

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Irã: números alarmantes, dizem entidades

Organizações independentes que acompanham os protestos afirmam que, de qualquer modo, o número de crianças e adolescentes em cárcere é expressivo. Estimativas apontam para centenas de estudantes, em diferentes regiões do país, tanto em escolas quanto em universidades.

Inicialmente motivados pela crise econômica, os protestos ganharam caráter político e passaram a questionar o regime. Em resposta, o Estado intensificou a repressão, com prisões em massa, presença policial ampliada e uso de força considerada excessiva por observadores externos.

Leia também: “Terror à deriva”, reportagem de Eugênio Goussinsky publicada na Edição 307 da Revista Oeste 

As informações sobre o que ocorreu durante os atos seguem fragmentadas. O poder central restringiu o acesso à internet e limitou as comunicações, o que dificultou a checagem independente dos fatos. Ainda assim, relatos começaram a emergir em breves períodos de conexão.

Dados oficiais e recentes apontam pouco mais de três mil mortes desde o início da repressão. Entidades de monitoramento no exterior trabalham, no entanto, com números significativamente maiores. Da mesma forma, indicam que dezenas de crianças estariam entre as vítimas fatais.

O papel das universidades

Historicamente, estudantes ocupam papel central nos movimentos por mudanças políticas no Irã. Universidades funcionam como polos de mobilização desde antes da Revolução Islâmica de 1979, o que as torna alvos recorrentes do aparato estatal.

Nos últimos episódios, forças de segurança invadiram campi, realizaram prisões e impuseram sanções administrativas. Em alguns casos, estudantes, sob coerção, foram impedidos de retomar os estudos, ampliando o impacto da repressão sobre o sistema educacional.

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