Uma investigação do Centro de Inteligência e Informações sobre Terrorismo Meir Amit identificou que o Hamas tem direcionado o conteúdo da emissora estatal do Catar, Al Jazeera. O grupo terrorista reprime manifestações de insatisfação popular em Gaza. A informação é do jornal The Jesusalem Post.
Documentos analisados mostram que representantes do grupo palestino mantêm contato direto com a equipe da Al Jazeera. Assim, eles alinham a cobertura jornalística, de modo a evitar qualquer informação capaz de prejudicar “a imagem da resistência”.
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Entre os arquivos, um documento de 2022 mostra que o Hamas orientou a emissora a não usar termos como “massacre” ao relatar um ataque com mísseis do Jihad Islâmico Palestino em Jabalya. Em vez do termo, a mídia deveria reconhecer que ações “da ocupação” não haviam provocado o incidente.
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Segundo os registros, a recomendação foi aceita pela administração de redação da Al Jazeera, que ajustou seu noticiário conforme a solicitação do grupo.
Coordenação direta do Hamas e influência sobre a narrativa
Outro material sugere que o Hamas buscou criar um canal seguro de comunicação. Assim, permitiria coordenação direta entre seus integrantes e a emissora em Doha, especialmente durante emergências. Essa estrutura possibilitaria à ala militar do Hamas enviar orientações em tempo real sobre quais reportagens deveriam ser divulgadas ou censuradas.
O centro de pesquisa classificou a descoberta desses documentos como uma evidência incomum de coordenação sistemática entre uma organização considerada terrorista e um veículo internacional de notícias.
A análise também revelou que expressões usadas pela Al Jazeera, como mujahideen e muqawimin, reproduzem a terminologia do Hamas para referir-se a seus combatentes, enquanto as Forças de Defesa de Israel são chamadas de “exército de ocupação”.
Durante a cobertura do conflito, a emissora também denominou reféns israelenses como “prisioneiros”. Ofereceu, ainda, aos seus jornalistas, acesso inédito aos túneis subterrâneos do Hamas. Reportagens como a de Wael al-Dahdouh, exibida em janeiro de 2024, mostraram túneis e entrevistas com integrantes da ala militar do grupo e detalham a construção e o funcionamento dessas estruturas secretas.
Em outros casos, a Al Jazeera exibiu imagens de operativos na preparação de armadilhas para as Forças de Defesa de Israel. Em abril de 2024, relatou o sucesso de uma emboscada com vídeos de armas e equipamentos militares supostamente capturados de soldados israelenses, conforme mostrou o estudo.
Jornalistas da Al Jazeera ligados ao braço militar do Hamas

Os documentos também mostram que jornalistas da Al Jazeera em Gaza atuavam como integrantes do braço militar do Hamas, inclusive em ações armadas. Entre eles, está Anas al-Sharif, morto em um ataque das Forças de Defesa de Israel em 10 de agosto de 2025, identificado como membro do Batalhão Jabalya Leste e comandante de unidade. Segundo os registros, ele também chefiava o setor de informações de seu batalhão.
Outro nome citado é Ismail Abu Ammar, correspondente ferido em fevereiro de 2024 e listado como comandante das Brigadas Izzadin al-Qassam em Khan Yunis. O centro acredita que Ammar provavelmente tinha conhecimento prévio da invasão de 7 de outubro, o que permitiu sua cobertura ao vivo.
Controle da narrativa e repressão a críticas
A pesquisa ainda destaca que a Al Jazeera reforça uma imagem positiva do Hamas perante a população de Gaza. Em transmissões, a emissora interrompe entrevistas de palestinos que criticam o grupo.
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Em 5 de novembro de 2023, um repórter cortou a fala de um homem ferido, que denunciava o uso de civis como escudo. Já num outro caso, um jornalista afastou um entrevistado que afirmou: “Alá responsabilizará o Catar e a Turquia”, depois de ser questionado sobre o massacre praticado por Israel.






































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