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Guerra no Oriente Médio derruba exportações ao Golfo

Interrupções logísticas e tensão geopolítica afetam embarques, elevam custos e levantam alerta sobre abastecimento na região

Argentina Exportação de Carne
Apesar da queda no mês, o desempenho no primeiro trimestre ainda indica crescimento | Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A redução nas exportações brasileiras para países do Golfo marcou o mês de março, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB) mostram que as vendas ao bloco recuaram 31,47% na comparação anual, somando US$ 537,11 milhões.

Apesar da queda no mês, o desempenho no primeiro trimestre ainda indica crescimento. Entre janeiro e março, o Brasil exportou US$ 2,41 bilhões ao Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), avanço de 8,14%. Considerando os 22 países árabes, o volume chegou a US$ 5,13 bilhões, com alta de 3,90%.

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A interrupção do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz afetou diretamente a logística da região. Segundo a CCAB, a restrição de acesso a portos estratégicos interrompeu a trajetória de alta das vendas brasileiras.

O secretário-geral da entidade, Mohamad Orra Mourad, afirmou que o impacto ainda não compromete o resultado acumulado. “O alimento vai chegar com custo elevado devido ao risco por conta do conflito, mas precisamos assegurar, principalmente, a segurança alimentar das regiões.”

Segundo Mourad, os países do Golfo concentram 47% das exportações brasileiras para o mundo árabe.

Agro domina pauta e sofre impacto desigual

O agronegócio responde por cerca de 75% das exportações brasileiras para o Golfo. Em março, o setor registrou queda de 25,38%, mas manteve crescimento de 6,8% no trimestre, com US$ 1,44 bilhão.

O frango, principal produto da pauta, recuou 13,80% no mês, totalizando US$ 185,50 milhões. No acumulado do ano, a queda foi menor, de 2,32%, com US$ 619,12 milhões.

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O açúcar teve retração mais intensa em março, de 43,37%, somando US$ 54,07 milhões. Mesmo assim, apresentou alta de 26,41% no trimestre, com US$ 363,11 milhões.

A carne bovina seguiu na direção oposta. O produto avançou 23,87% em março, para US$ 47,75 milhões, e acumulou crescimento de 65,29% no trimestre, atingindo US$ 194,56 milhões.

O milho registrou o maior impacto. As exportações praticamente zeraram no mês, com queda de 99,96% e embarques de apenas US$ 0,03 milhão. No trimestre, a redução foi de 5,8%, com US$ 61,22 milhões.

Já o café apresentou desempenho positivo. As vendas cresceram 34,24% em março, para US$ 9,97 milhões, e 64,3% no acumulado do ano, alcançando US$ 49,58 milhões.

As importações brasileiras de fertilizantes vindos do Golfo também recuaram. No primeiro trimestre, a queda foi de 51,35%. A região responde por cerca de 10% do insumo adquirido pelo agronegócio no exterior.

Mercado halal amplia pressão por abastecimento

Os países do Golfo carecem de alimentos halal, que seguem normas da legislação islâmica. O termo se refere não apenas ao tipo de alimento, mas também aos processos de produção, armazenamento e transporte.

Segundo o IMARC Group, o mercado global de alimentos halal alcança US$ 2,9 bilhões. A projeção indica expansão para US$ 6,3 bilhões até 2034, com crescimento anual de 8,56%.

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A região Ásia-Pacífico lidera o setor, com mais de 48,5% de participação. O relatório também revela que a população muçulmana supera 1,9 bilhão de pessoas, o que sustenta a demanda por produtos certificados.

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