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Fuga para o Leste: o cerco ao Natal no ocidente europeu

Como o avanço do multiculturalismo empurrou tradições cristãs para fora do coração da Europa

Na Europa central e oriental, especialmente em países como Hungria, Polônia, República Tcheca e Letônia, a resposta tem sido um sonoro 'não, não devemos e não vamos aceitar esse novo normal', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Na Europa central e oriental, especialmente em países como Hungria, Polônia, República Tcheca e Letônia, a resposta tem sido um sonoro 'não, não devemos e não vamos aceitar esse novo normal', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Dias após o terrível atentado terrorista na praia Bondi, em Sidney (Austrália), o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, o ultraesquerdista Chris Minns, confessou a origem do problema: “A Austrália não tem as mesmas leis de liberdade de expressão que os Estados Unidos porque queremos manter uma comunidade multicultural”.

Como sugeriu Sean Thomas no The Telegraph, Minns disse em voz alta aquilo que as autoridades costumam sussurrar entre si, a saber: que, entre os ideais da liberdade e do multiculturalismo, essas autoridades ficam com o segundo. O que não se reconhece aí, todavia, é o fato de que a adesão ideológica e irrefletida ao multiculturalismo implica, sim, restrição às liberdades. Mas apenas de alguns — no caso, os nativos das culturas hospedeiras. Os indivíduos provenientes das culturas hospedadas, por outro lado, sobretudo quando se trata de egressos do mundo islâmico, não abrem mão de sua liberdade — de expressão, de reunião, de consciência, de crença…

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Basta notar o que essa assimetria do paradigma multiculturalista — cuja raiz psicossocial é o que Pascal Bruckner chamou de “tirania da culpa” — fez com o Natal na Europa Ocidental. Quer seja na Alemanha, na França, na Inglaterra, na Áustria, na Holanda etc., o que se vê são mercados natalinos cercados por blocos de concreto, canções tradicionais substituídas por fórmulas neutras, presépios discretamente removidos para evitar ferir “sensibilidades”. Como, no início do mês, escreveu Rebeka Kis para o The European Conservative:

“Os mercados de Natal europeus — símbolos alegres da herança cristã — estão entrando na temporada de 2025 sob a presença de segurança mais pesada que o continente já viu. O que deveria ser uma celebração de paz se transformou em uma demonstração de medo, com cidades por toda a Europa forçadas a converter praças festivas em zonas fortificadas. Anos de decisões políticas irresponsáveis deixaram eventos culturais cristãos cada vez mais vulneráveis à violência extremista.”

Sem Natal no ocidente europeu

Dito e feito. Como mostra a matéria de Eugenio Goussinsky, o Natal e o fim de ano parecem mesmo ter sido cancelados no ocidente europeu. É esse o resultado da vitória do multiculturalismo sobre a civilização judaico-cristã desejada por Chris Minns e tantas outras autoridades ocidentais ao longo de décadas. Trata-se não do fim da liberdade em sentido universal e equipolente, uma vez que o silêncio cultural do europeu nativo se faz necessariamente acompanhar pela expressão livre e irrefreada do imigrante islâmico, livre o bastante para se achar no direito — que o paradigma das “fronteiras abertas” lhe garantiu — de invadir mercados natalinos, celebrações de hanukkah, igrejas e sinagogas para destruir todos os símbolos religiosos que formam a base da civilização hospedeira. O multiculturalismo, tal como idealizado pelos líderes europeus, não produziu integração, mas um medo difuso e generalizado, fundamentado na estranha inversão moral segundo a qual a tradição majoritária deve pedir licença para existir. “Será que devemos aceitar isso como o novo normal da Europa?” — pergunta-se Emma Trimble em sua mais recente coluna na GB News.

Na Europa central e oriental, especialmente em países como Hungria, Polônia, República Tcheca e Letônia, a resposta tem sido um sonoro “não, não devemos e não vamos aceitar esse novo normal”. A diferença desses países para os seus consortes ocidentais é uma só: a adoção de políticas migratórias mais restritivas. Ao contrário do que se vê na Alemanha, na França e na Inglaterra, o Natal húngaro, polonês ou letão continua sendo celebrado sem grades, barreiras e patrulhas ostensivas. A comparação entre os dois hemisférios europeus talvez seja politicamente inconveniente, razão pela qual costuma ser descartada como “simplista”. Ainda assim, ela persiste, porque é empírica.

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Depois de elencar uma série de atentados e planos de atentados a alvos natalinos no Ocidente, Joakim Scheffer conclui no Hungarian Conservative:

“A maioria da Europa Oriental permaneceu imune a esses ataques terroristas dirigidos aos mercados de Natal, em grande parte devido à postura mais rígida desses países em relação à migração, com fronteiras fechadas, regras de imigração estritas e sistemas de asilo restritivos, mantendo a atmosfera natalina intacta — e, crucialmente, segura — em cidades como Budapeste, Varsóvia, Cracóvia, Praga e Riga. Essas cidades europeias orientais agora figuram cada vez mais em itinerários turísticos de inverno, atraindo visitantes que buscam tradições festivas vivas e visivelmente seguras.”

Budapeste, Varsóvia, Cracóvia, Praga, Riga… Esses são os destinos europeus nos quais os cristãos ainda gozam de liberdade e segurança. Aí, para a tristeza de Minns e que tais, o multiculturalismo suicida não triunfou sobre a liberdade, sobretudo a liberdade dos cristãos para celebrar uma de suas datas mais importantes. Numa Europa invadida por multidões de Herodes, coube ao Leste do continente representar o Egito bíblico no qual o Jesus menino pode ainda florescer.

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1 comentário
  1. Marcos Antônio de Carvalho
    Marcos Antônio de Carvalho

    A esquerda tem modificado o conceito de multiculturalismo que, em princípio, poderia ser até interessante, não fossem as políticas tendentes a enfiar, goela abaixo da sociedade suas ideias woke. Ela tem usado o multiculturalismo para impor a predominância das minorias em detrimento do respeito e da aceitação espontânea pela cultura dominante.

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