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Europa prepara aumento de gastos militares para 2026

Especialistas citam a eleição do presidente Donald Trump, que prevê um recuo no apoio militar ao continente, como uma das causas

Europa militar investimentos
Países planejam recrutar mais pessoal militar | Foto: Reprodução/Pixabay

A Europa vai aumentar gastos militares e reforçar sua autonomia estratégica. O pacote Rearmar a Europa (ou Prontidão 2030), de 800 bilhões de euros (R$ 5,2 trilhões), permite aos países do bloco investir em artilharia, mísseis, defesa aérea e drones.

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França, Alemanha e Polônia anunciaram orçamentos maiores em Defesa, e a França vai destinar mais de 6 bilhões de euros (R$ 39 bilhões) até 2027. Além disso, os países planejam recrutar mais pessoal militar. O presidente francês Emmanuel Macron anunciou ainda um novo porta-aviões, reforçando o esforço da França em ampliar sua capacidade militar.

“A Defesa tem um impacto enorme no clima e no meio ambiente. O setor da defesa global é responsável por mais de 5% das emissões de carbono, e a indústria é isenta de reportar suas emissões”, alerta Emilie Tricarico, do Escritório Europeu para Meio Ambiente, ao jornal O Globo. Ela considera que tal movimento foi estimulado pelo impacto da eleição do presidente Donald Trump nos EUA.

A União Europeia flexibiliza regras ambientais e reduz exigências de relatórios de impacto, abrangendo data centers e fábricas de inteligência artificial, demonstrando prioridade em competitividade econômica. Tricarico critica:

“Isso é favorecer o capital às custas das pessoas e do planeta.” Depois de dezembro, a UE também anunciou que não pretende mais banir carros que emitem gases de efeito estufa até 2035.

O distanciamento dos EUA sob Trump acelerou a busca por autonomia econômica e estratégica. Laurence Tubiana, economista e diplomata francesa, destaca:

“Trump foi um choque que forçou a Europa a passar por um período de recuo”, ressalta ela. “Os próximos dois anos serão cruciais para o continente acordar e construir uma independência econômica e estratégica.”

Enquanto os EUA recuam com o apoio, dentro da nova política, a China expande sua influência e a UE tenta reforçar relações com o Mercosul. Tubiana questiona:

“Onde vamos encontrar novos amigos agora que a aliança [com os EUA] morreu? Será que a União Europeia vai se voltar para a América Latina, que deixou de lado há tanto tempo? Há também países que pedem mais laços, como Coreia do Sul, Indonésia e África do Sul.”

Depois da invasão da Ucrânia, o setor de petróleo e gás ganhou relevância, limitando a ação climática e aumentando a importância estratégica do bloco. Tubiana avalia:
“Isso deu uma capacidade de negociação para esse setor [gás e petróleo] inacreditável, que eles estavam perdendo até o momento da invasão.”

Trump e a Europa

O nacionalismo norte-americano gerou efeito positivo em universidades europeias, atraindo estudantes e pesquisadores antes voltados aos EUA, fenômeno chamado Trump bump (impulso Trump) pelo Financial Times.

Leia mais: “União Europeia anuncia plano militar até 2030”

Jan Rovny, professor da Sciences Po, resume para o jornal como vê a polarização interna:

“Estamos em um impasse”, diz ele. “Ninguém tem uma estratégia clara. Um lado defende mais liberalismo e competitividade; o outro, protecionismo, fechamento econômico e proteção cultural.”

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