A Europa vai aumentar gastos militares e reforçar sua autonomia estratégica. O pacote Rearmar a Europa (ou Prontidão 2030), de 800 bilhões de euros (R$ 5,2 trilhões), permite aos países do bloco investir em artilharia, mísseis, defesa aérea e drones.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Receba nossas atualizações
França, Alemanha e Polônia anunciaram orçamentos maiores em Defesa, e a França vai destinar mais de 6 bilhões de euros (R$ 39 bilhões) até 2027. Além disso, os países planejam recrutar mais pessoal militar. O presidente francês Emmanuel Macron anunciou ainda um novo porta-aviões, reforçando o esforço da França em ampliar sua capacidade militar.
“A Defesa tem um impacto enorme no clima e no meio ambiente. O setor da defesa global é responsável por mais de 5% das emissões de carbono, e a indústria é isenta de reportar suas emissões”, alerta Emilie Tricarico, do Escritório Europeu para Meio Ambiente, ao jornal O Globo. Ela considera que tal movimento foi estimulado pelo impacto da eleição do presidente Donald Trump nos EUA.
A União Europeia flexibiliza regras ambientais e reduz exigências de relatórios de impacto, abrangendo data centers e fábricas de inteligência artificial, demonstrando prioridade em competitividade econômica. Tricarico critica:
“Isso é favorecer o capital às custas das pessoas e do planeta.” Depois de dezembro, a UE também anunciou que não pretende mais banir carros que emitem gases de efeito estufa até 2035.
O distanciamento dos EUA sob Trump acelerou a busca por autonomia econômica e estratégica. Laurence Tubiana, economista e diplomata francesa, destaca:
“Trump foi um choque que forçou a Europa a passar por um período de recuo”, ressalta ela. “Os próximos dois anos serão cruciais para o continente acordar e construir uma independência econômica e estratégica.”
Enquanto os EUA recuam com o apoio, dentro da nova política, a China expande sua influência e a UE tenta reforçar relações com o Mercosul. Tubiana questiona:
“Onde vamos encontrar novos amigos agora que a aliança [com os EUA] morreu? Será que a União Europeia vai se voltar para a América Latina, que deixou de lado há tanto tempo? Há também países que pedem mais laços, como Coreia do Sul, Indonésia e África do Sul.”
Depois da invasão da Ucrânia, o setor de petróleo e gás ganhou relevância, limitando a ação climática e aumentando a importância estratégica do bloco. Tubiana avalia:
“Isso deu uma capacidade de negociação para esse setor [gás e petróleo] inacreditável, que eles estavam perdendo até o momento da invasão.”
Trump e a Europa
O nacionalismo norte-americano gerou efeito positivo em universidades europeias, atraindo estudantes e pesquisadores antes voltados aos EUA, fenômeno chamado Trump bump (impulso Trump) pelo Financial Times.
Leia mais: “União Europeia anuncia plano militar até 2030”
Jan Rovny, professor da Sciences Po, resume para o jornal como vê a polarização interna:
“Estamos em um impasse”, diz ele. “Ninguém tem uma estratégia clara. Um lado defende mais liberalismo e competitividade; o outro, protecionismo, fechamento econômico e proteção cultural.”
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.