Em 2025, a dinâmica do apoio à Ucrânia mudou de forma expressiva, e países da Europa assumiram o protagonismo tanto no envio de recursos militares quanto financeiros, segundo dados do Instituto Kiel para a Economia Mundial.
Antes, os Estados Unidos lideravam o auxílio à Ucrânia, mas agora os europeus passaram a responder pela maior parte desse suporte.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
O levantamento mostra que a guerra na Ucrânia deixou de ser predominantemente marcada pela atuação dos EUA e ganhou contornos mais europeus.
O presidente Donald Trump havia prometido, durante a campanha presidencial, diminuir a assistência norte-americana, e, em 2025, o volume de ajuda dos EUA caiu drasticamente.
O total repassado, no entanto, manteve-se relativamente estável graças ao aumento expressivo das contribuições europeias.
Europa lidera envio de ajuda militar e financeira à Ucrânia
Entre março e abril de 2025, período em que Washington não aprovou novos pacotes de auxílio, a União Europeia (UE) e seus membros intensificaram o apoio.
Pela primeira vez desde junho de 2022, a Europa ultrapassou os EUA e atingiu € 72 bilhões em ajuda militar, contra € 65 bilhões dos Estados Unidos.
O envio de armamentos europeus subiu 67% em relação à média registrada entre 2022 e 2024, enquanto o auxílio humanitário e financeiro aumentou 59% nesse mesmo intervalo.
Leia também: “O lado sinistro do Catar (parte 2)”, artigo de José Fucs publicado na Edição 309 da Revista Oeste
Apesar do esforço europeu para compensar a redução dos EUA, o total da ajuda militar à Ucrânia caiu 14% em relação ao ano anterior e segue distante dos patamares de 2022.
O estudo destaca ainda que o reforço nos repasses parte principalmente de um pequeno grupo de países da Europa Ocidental e do Norte, como Suécia, Noruega, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido.
Já nações do sul e algumas do Leste Europeu tiveram participação bem menor em 2025.
Divisões internas e o papel da Hungria
A “Coalizão dos Dispostos”, formada no início de 2025, reúne esses países mais ativos no apoio, incluindo França, Alemanha e Reino Unido.
Emmanuel Macron, presidente francês, e Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, chegaram a debater publicamente a possibilidade de envio de tropas ou da criação de estruturas militares na Ucrânia, como parte de um eventual acordo de paz com a Rússia.
No entanto, a unidade europeia encontra resistência, principalmente da Hungria, da Eslováquia e da República Tcheca.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, mantém posição contrária ao envio de mais recursos militares e financeiros a Kiev, pleiteando soluções pacíficas desde o início do conflito e promovendo duas missões de paz em 2024.
Leia mais:
Budapeste também é a única capital da União Europeia a bloquear o processo de adesão da Ucrânia ao bloco, o que poderia transformar o conflito em uma questão interna da UE.
A imprensa europeia revelou um plano de cinco pontos para admitir Kiev até 2027, com três deles destinados exclusivamente a superar o veto de Orbán, inclusive apoiando a oposição húngara no período anterior às eleições parlamentares de abril.
Entre as alternativas discutidas, estão desde a possibilidade de mudança de governo na Hungria até pressão direta do presidente Donald Trump sobre Orbán, além da eventual suspensão dos direitos de voto do país no bloco com base no Artigo 7.
O premiê húngaro reagiu e disse que o plano representa uma “declaração aberta de guerra contra a Hungria”.









































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.