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EUA impõem sanções a Gustavo Petro, presidente da Colômbia

A decisão inclui a aplicação de restrições a pessoas próximas do esquerdista, como sua mulher, seu filho mais velho e um aliado político

Durante a reunião de ministros, transmitida na tarde desta terça-feira, 4, Gustavo Petro afirmou que a cocaína ‘não é pior do que o uísque’ | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A decisão tem como base medidas de combate ao narcotráfico | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em decisão inédita, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira, 24, a imposição de sanções contra o ex-guerrilheiro e atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com base em medidas de combate ao narcotráfico.

A decisão inclui também a aplicação de restrições a pessoas próximas a Petro, como sua mulher, seu filho mais velho e um aliado político de longa data.

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“Desde que o presidente Gustavo Petro assumiu o poder, a produção de cocaína na Colômbia disparou para o maior nível em décadas, inundando os EUA e envenenando norte-americanos”, afirmou Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano.

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Bessent acrescentou que o presidente colombiano “permitiu a expansão dos cartéis de drogas e se recusou a interromper essa atividade”.

“O presidente Trump está tomando medidas firmes para proteger nosso país e deixar claro que não toleraremos o tráfico de drogas para nossa nação”, diz o comunicado do Departamento do Tesouro dos EUA.

Base das sanções contra Gustavo Petro

As sanções utilizam a Ordem Executiva 14.059, que mira estrangeiros ligados ao tráfico internacional de drogas. A Colômbia segue como principal produtora e exportadora mundial de cocaína, substância frequentemente adquirida por cartéis mexicanos e posteriormente levada para os EUA pela fronteira sul.

Apesar de comparações recentes de Petro entre o consumo da droga e o de uísque, a cocaína permanece uma ameaça significativa ao território norte-americano.

Gustavo Petro, eleito presidente colombiano em 2022 e ex-integrante de grupo guerrilheiro, é acusado de favorecer organizações de narcotráfico sob seu plano de “paz total” e outras políticas que resultaram em recordes históricos de cultivo de coca e produção de cocaína.

Em 15 de setembro de 2025, o governo dos EUA classificou a Colômbia como país com grande trânsito ou produção ilícita de drogas. A Casa Branca afirmou que o país “falha de forma evidente” em cumprir suas obrigações de controle antidrogas.

Em 2024, Petro também foi responsabilizado por compartilhar informações confidenciais obtidas em sistemas de comunicação seguros contra lavagem de dinheiro, o que comprometeu a integridade do sistema financeiro internacional e levou à suspensão da Unidade de Inteligência Financeira da Colômbia do Egmont Group. Ele teria se aproximado do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e do Cartel de Los Soles.

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Envolvimento de familiares e aliados

O filho mais velho do presidente colombiano, Nicolás Fernando Petro Burgos, visto como herdeiro político, atuou como coordenador de campanha em Barranquilla.

Em 2023, a polícia prendeu Nicolás por lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Ele teria canalizado recursos de traficantes para a campanha e iniciativas de “paz total” de Petro.

Nicolás admitiu ter recebido dinheiro ilícito de um ex-traficante e filho de um empreiteiro investigado por financiar paramilitares.

Petro nomeou a primeira-dama da Colômbia, Verónica del Socorro Alcocer Garcia, para o posto de embaixadora em missão especial, mas a Justiça colombiana anulou a nomeação, citando violação ao artigo 126 da Constituição, que proíbe nomeação de cônjuges pelo presidente.

Armando Alberto Benedetti Villaneda, aliado de Petro, ocupou diversos cargos de destaque no governo e, em 2023, teve áudios vazados em que detalha sua participação no financiamento da campanha e na obtenção de votos para o atual presidente. Em fevereiro de 2025, foi nomeado ministro do Interior.

Nicolás Petro, Veronica Alcocer e Armando Benedetti estão entre os sancionados por oferecer apoio financeiro, material ou tecnológico, bens ou serviços em benefício de Gustavo Petro.

Consequências

As sanções determinam que cidadãos norte-americanos e instituições sob sua jurisdição bloqueiem todos os bens e interesses das pessoas listadas que estejam nos EUA e informem ao Tesouro.

Empresas com participação direta ou indireta de 50% ou mais por pessoas sancionadas também estão sujeitas aos bloqueios. Salvo autorização expressa, cidadãos e instituições norte-americanas ficam proibidos de realizar transações com indivíduos ou entidades sancionadas.

Leia também: “Confissões explosivas”, artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 293 da Revista Oeste

O descumprimento das sanções pode resultar em penalidades civis ou criminais para pessoas físicas e jurídicas, norte-americanas ou estrangeiras.

O Departamento do Tesouro dos EUA destaca que as normas proíbem qualquer contribuição ou oferta de fundos, bens ou serviços para pessoas bloqueadas, assim como o recebimento de tais ativos dessas pessoas.

O órgão reforça que as sanções têm como finalidade promover mudanças de comportamento, e não apenas punir.

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