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EUA mandam recado à China: ‘Dependem fortemente do Estreito de Ormuz'

Rubio afirmou que o possível fechamento da rota afetaria várias economias

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA | Foto: Reuters/Jacquelyn Martin
Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA | Foto: Reuters/Jacquelyn Martin

Em entrevista à Fox Business nesta segunda-feira, 23, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o Irã “cometeu um grave erro” ao manter um programa nuclear militarizado, o que teria levado aos ataques coordenados realizados pelos EUA contra três instalações nucleares iranianas.

A ação, segundo o presidente Donald Trump, resultou na “completa e total destruição” das principais unidades de enriquecimento de urânio, inclusive a instalação subterrânea de Fordow, atingida por mísseis do tipo “fura-bunker“.

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Rubio negou que os ataques configurem uma declaração de guerra. “Não estamos em guerra com o Irã”, disse. Segundo ele, há cerca de dois meses o presidente Trump enviou uma carta ao regime iraniano com a proposta de uma negociação pacífica.

Sobre o objetivo dos bombardeios, Rubio esclareceu que a missão buscava desmantelar a infraestrutura nuclear de alto risco. “Um dos locais possuía urânio enriquecido a 60%”, informou. “Você só precisa de 3,67% para energia nuclear.”

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Ele afirmou que o Irã possuía urânio suficiente para produzir “pelo menos nove ou dez bombas” e que bastaria um processo de alguns dias para elevar o nível de enriquecimento a 90%, grau considerado de uso militar.

Rubio reiterou que o ataque foi cirúrgico, sem atingir civis: “Não atingimos o povo iraniano, atingimos instalações nucleares”, disse. A operação, conduzida por aviões que partiram de fora do Oriente Médio, foi descrita como uma ação “precisa, rápida e eficaz”, com as aeronaves fora do espaço aéreo iraniano antes que o regime percebesse o ocorrido.

Perguntado sobre uma possível retaliação iraniana, Rubio declarou que seria “o pior erro que o Irã poderia cometer”. Segundo ele, “eles não controlam seu próprio espaço aéreo, não podem proteger seus próprios líderes”. Ao mesmo tempo, disse que o objetivo não é promover uma mudança de regime.

Rubio também destacou que o Irã é responsável por fomentar conflitos no Oriente Médio: “Quem criou o Hezbollah? O Irã”, lembrou. “Quem financia o Hamas? O Irã. Quem construiu os explosivos que mutilaram soldados norte-americanos no Iraque? O Irã. Eles são a fonte da instabilidade na região há mais de 40 anos.”

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Estreito de Ormuz é ponto crítico na estratégia dos EUA

Sobre o possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo, o secretário foi enfático ao dizer que isso seria um “suicídio econômico” para o Irã. Ele ainda enviou um recado direto à China: “Incentivo o governo chinês a telefonar para eles sobre isso, porque dependem fortemente do Estreito para seu petróleo”.

Rubio advertiu que o fechamento do estreito prejudicaria severamente outras economias além da dos EUA e que “seria uma escalada massiva que exigiria resposta, não apenas nossa, mas de outros também”.

Ao comentar a atuação europeia, Rubio afirmou que França, Alemanha e Reino Unido devem decidir até outubro se retomarão as sanções contra o Irã, previstas no antigo acordo nuclear. “O Irã está em completa violação”, declarou, ao reforçar o pedido para que os aliados europeus exerçam pressão.

O Estreito de Ormuz fica localizado entre o Irã e Omã | Foto: Jacques Descloitres/NASA
O Estreito de Ormuz fica localizado entre o Irã e Omã | Foto: Jacques Descloitres/NASA

Ele também criticou a recusa do regime iraniano em dialogar diretamente com os EUA: “Eles querem passar bilhetinhos como se estivéssemos na terceira série”, ironizou o secretário. “Isso acabou”.

Rubio destacou ainda a importância da cooperação com aliados do Oriente Médio e o papel dos EUA na proteção da região: “Se o Irã não fosse uma ameaça, não precisaríamos ter bases em Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita”.

Ao final da entrevista, o secretário declarou que os EUA cumpriram seu objetivo com os ataques e que a continuidade do conflito dependerá das ações futuras do Irã. “Se eles quiserem negociar, estamos prontos”, disse. “Se quiserem brincar com coisas perigosas, temos respostas devastadoras à disposição.”

Leia também: “O Brasil não está longe da fronteira da Faixa de Gaza”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 186 da Revista Oeste

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