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EUA aprovam megaprojeto de Trump para cortar impostos e reduzir gastos

Com o resultado da votação, projeto vai a sanção presidencial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons
Antes da tarifa, cogitava-se aplicar sanções econômicas e diplomáticas diretamente a Moraes | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira, 3, o pacote de cortes de impostos e redução de gastos proposto pelo presidente Donald Trump. A votação apertada terminou em 218 votos favoráveis e 214 contrários, com dois republicanos unidos a todos os democratas na oposição.

A proposta, que supera 800 páginas e reúne prioridades de campanha de Trump, prevê a manutenção e ampliação de cortes tributários aprovados em 2017, quando o republicano estava em seu primeiro mandato.

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O texto permite que trabalhadores deduzam gorjetas e horas extras, além de instituir uma dedução de US$ 6 mil para a maioria dos idosos com renda anual inferior a US$ 75 mil. O valor total dos incentivos fiscais é estimado em US$ 4,5 trilhões.

Para contrabalançar a perda de arrecadação, o projeto inclui US$ 1,2 trilhão em cortes no Medicaid — programa público de saúde que atende idosos, pessoas de baixa renda e com deficiência — e nos cupons de alimentação.

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O Tax Policy Center calculou que, caso a lei fosse rejeitada e os cortes de 2017 expirassem, haveria um aumento geral de impostos. Com a nova lei, o quintil mais pobre receberá um desconto médio de US$ 150, enquanto o quintil mais rico terá uma redução de US$ 10,9 mil em tributos.

Trump acompanhou de perto as negociações e convocou parlamentares à Casa Branca durante a madrugada. Nas redes sociais, escreveu: “Maiores cortes de impostos da história e uma economia em expansão vs. maior aumento de impostos da história e uma economia fracassada: o que os Republicanos estão esperando?”, questionou.

O projeto também direciona cerca de US$ 350 bilhões a iniciativas de segurança nacional, como o desenvolvimento do sistema defensivo “Golden Dome” e medidas voltadas à imigração, como novos centros de detenção de imigrantes.

Para líderes republicanos, a aprovação é um marco. O presidente da Câmara, Mike Johnson, declarou em plenário: “Com um grande e belo projeto, vamos tornar este país mais forte, mais seguro e mais próspero do que nunca”.

Projeto de Trump avança, apesar da tentativa de obstrução

Já os democratas se mantiveram unidos contra o texto. O líder da minoria, Hakeem Jeffries, discursou por 8 horas e 44 minutos e estabeleceu o recorde da fala mais longa da história da Casa, a fim de obstruir a pauta. Durante a intervenção, classificou o projeto como “um documento imoral” e “uma cena de crime”.

A proposta enfrentou resistência tanto de parlamentares moderados quanto de conservadores. Alguns republicanos expressaram preocupação com a severidade dos cortes sociais, enquanto outros cobravam mais economia fiscal. No Senado, a votação também foi equilibrada e foi decidida pelo voto de desempate da vice-presidente J.D. Vance.

Para obter apoio, líderes republicanos recorreram a reuniões com integrantes do governo e ofereceram esclarecimentos técnicos. O deputado Ralph Norman, integrante do Freedom Caucus, afirmou que os encontros na Casa Branca foram “muito úteis”.

8 de janeiro
O capitólio, sede do Congresso Nacional dos Estados Unidos, em Washington | Reprodução

Ao longo do processo, Trump sinalizou a disposição de apoiar pré-candidatos contra parlamentares republicanos contrários ao projeto. Um dos que rejeitaram o texto, o senador Thom Tillis, anunciou posteriormente que não tentará reeleição.

De acordo com a estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso, a nova lei aumentará o déficit público em US$ 3,3 trilhões ao longo da próxima década. A mesma instituição calcula que quase 12 milhões de pessoas perderão cobertura de saúde em decorrência das mudanças no Medicaid.

Republicanos, no entanto, argumentam que a medida evita aumentos de impostos e corrige distorções nos programas assistenciais. O presidente do Comitê Orçamentário da Câmara, Jodey Arrington, resumiu a visão da base governista: “Esta foi uma oportunidade geracional de entregar o conjunto de reformas conservadoras mais abrangente e consequente da história moderna.”

Leia também: “A maré woke começa a recuar”, artigo de Ubiratan Jorge Iorio publicado na Edição 253 da Revista Oeste

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