O governo dos Estados Unidos indiciou três cidadãos chineses por crimes relacionados ao contrabando de material biológico. Os acusados, todos pesquisadores com visto norte-acadêmico, atuavam na Universidade de Miami e mantinham ligações com a Universidade de Michigan.
Segundo a denúncia do Departamento de Justiça, os três receberam substâncias ilegais ocultas em pacotes vindos da China. A acusação reforça a suspeita de que estrangeiros têm utilizado universidades norte-americanas para facilitar crimes contra a segurança nacional.
Receba nossas atualizações
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Os envolvidos são Xu Bai, de 28 anos, Fengfan Zhang, de 27 anos, e Zhiyong Zhang, de 30 anos. Eles trabalhavam no Laboratório de Shawn Xu, na Universidade de Miami, e integravam projetos ligados à área biológica.
As investigações começaram em 2024, quando autoridades identificaram uma série de remessas suspeitas enviadas da China para os EUA. Os pacotes continham material biológico escondido, relacionado a pesquisas com lombrigas, e tinham como destino os laboratórios norte-americanos onde Bai e Fengfan Zhang atuavam.
O remetente era Chengxuan Han, doutorando chinês da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan. Em junho de 2025, Han viajou aos EUA para integrar um laboratório da Universidade de Michigan.
Durante sua estadia, os agentes descobriram que ele havia mentido às autoridades e violado normas de importação de materiais controlados. Foi preso, confessou três crimes de contrabando e um de declaração falsa. Condenado, acabou deportado para a China.
Demissões, fuga frustrada e mentiras na alfândega
Com a prisão de Han, a Universidade de Miami abriu uma investigação interna sobre o laboratório onde atuavam os demais envolvidos. A direção convocou os três pesquisadores para uma reunião. Eles se recusaram a comparecer e também não colaboraram com a apuração. A universidade, então, os demitiu.
Como resultado, a demissão permitiu ao Departamento de Segurança Interna iniciar o processo de deportação dos três.
Em vez de se apresentarem às autoridades, os chineses compraram passagens de retorno para a China com embarque marcado para 20 de outubro de 2025, saindo do Aeroporto Metropolitano de Detroit. No dia 10 de outubro, agentes federais tentaram localizá-los em suas residências e em outros endereços, mas não os encontraram.
Ainda no mesmo dia, os acusados remarcaram os voos. Compraram novas passagens para o Aeroporto Internacional John F. Kennedy, em Nova York, com saída na madrugada do dia 16 de outubro. Assim, não embarcaram no voo original de Detroit e se deslocaram até Nova York, onde tentaram sair do país.
Durante a inspeção final da Alfândega, Zhiyong Zhang mentiu aos agentes ao ser interpelado sobre sua relação com Han. Já Bai e Fengfan Zhang admitiram ter recebido pacotes enviados por Han, inclusive depois da prisão e da deportação do colaborador.
Autoridades veem padrão de infiltração universitária
As acusações envolvem crimes como conspiração para contrabando e falsidade ideológica. Para o Departamento de Justiça, os casos não são isolados. O procurador Jerome Gorgon Junior afirmou que há um “padrão alarmante” de ações promovidas por cidadãos chineses sob o pretexto de pesquisa acadêmica.
“Aparentemente, esses três homens fazem parte de um longo e alarmante padrão de atividades criminosas cometidas por cidadãos chineses sob o disfarce da Universidade de Michigan”, disse o procurador. “Isso representa uma ameaça à nossa segurança nacional.”
+ Leia também: “Maior livraria cristã da China encerra atividades sob pressão do regime de Xi Jinping”
Segundo Kash Patel, diretor do Departamento Federal de Investigação, as autoridades “investigarão de forma rigorosa e responsabilizarão aqueles que violam” leis norte-americanas, uma vez que “a pesquisa acadêmica não pode servir de desculpa para atividades ilegais”.
Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.