Os Estados Unidos acusaram o governador do Estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha, e outros funcionários de envolvimento com o tráfico de drogas. A acusação abriu uma frente de atrito com o governo federal do México, em meio à pressão crescente contra cartéis.
De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, Rocha teria atuado em parceria com lideranças do Cartel de Sinaloa para enviar drogas ao território norte-americano em troca de apoio político e pagamento de propinas. A Casa Branca solicitou a prisão e a extradição do governador.
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Rocha, de 76 anos, é acusado de tráfico de drogas e posse de armamento pesado. Caso seja extraditado e condenado, pode cumprir ao menos 40 anos de prisão. O governador nega as acusações. Em manifestação pública, afirmou que o caso representa um ataque ao México e ao partido de esquerda Morena, que governa o país.
A Secretaria de Relações Exteriores mexicana informou que o pedido de extradição não apresenta provas suficientes. Também criticou a divulgação das informações pelas autoridades norte-americanas, alegando violação de acordos de confidencialidade, e anunciou que enviará uma queixa formal à Embaixada dos EUA.
Em resposta publicada no X nesta quarta-feira, 29, Rocha afirmou que as acusações “carecem de verdade e fundamento” e disse que o caso atinge também o projeto político da chamada “Quarta Transformação”.
A denúncia ocorre em meio às tensões entre a gestão do presidente Donald Trump e o governo da presidente mexicana, a esquerdista Claudia Sheinbaum. Rocha integra o Morena, partido fundado pelo ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, de quem é aliado
Para o ex-chefe de segurança do México Alberto Capella, a resposta oficial do governador foi “equivocada”, e Rocha deveria deixar o cargo, cujo mandato vai até 2027. No cargo, ele tem imunidade, que pode ser retirada pela Câmara dos Deputados mexicana. O Morena possui maioria no Congresso.

Segundo as investigações, o governador teria participado de reuniões com os filhos do traficante Joaquín “El Chapo” Guzmán. Conhecidos como “Chapitos”, eles teriam operado com liberdade em Sinaloa para enviar grandes volumes de drogas aos Estados Unidos.
O Estado de Sinaloa mantém forte ligação com o narcotráfico, e disputas entre facções do cartel têm elevado a violência na região. De um lado estão os “Chapitos”; de outro, o grupo ligado a Ismael “El Mayo” Zambada.
Claudia pode optar por afastar Rocha, com risco de desgaste interno no Morena, ou mantê-lo, o que tende a intensificar o atrito com Washington. Integrantes do governo do México defendem a saída do governador, mas a presidente já declarou que não há provas contra ele.

Governo de Sinaloa, no México, tem outros integrantes associados ao tráfico
O Departamento de Justiça dos EUA denunciou, em 2024, o financiamento do Cartel de Sinaloa à campanha de López Obrador. Agora, o órgão acusa outros integrantes do governo estadual de participação direta em crimes, como assassinatos e sequestros.
Entre os citados está o vice-procurador de Sinaloa, Dámaso Castro, que teria recebido cerca de US$ 11 mil mensais dos “Chapitos” para proteger integrantes do cartel. Já Juan Valencia, ex-comandante policial em Culiacán, é acusado de colaborar no sequestro e na morte de um informante da agência antidrogas norte-americana.
Casos semelhantes já ocorreram. Em 2024, o ex-ministro da Segurança Genaro García Luna foi condenado nos EUA a 38 anos de prisão por colaboração com o Cartel de Sinaloa no envio de drogas ao país.






































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