“O derramamento de sangue deve ser interrompido.” Com essa advertência, o presidente Volodymyr Zelensky abriu o domingo marcado por conversas diplomáticas em Genebra, onde representantes da Ucrânia, de países europeus e dos Estados Unidos (EUA) examinam o polêmico esboço de paz elaborado por Washington.
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As reuniões, relata a CNN, foram concebidas para medir a disposição das partes em avançar para um diálogo estruturado. Ocorrem sob a sombra de críticas ao conteúdo da proposta, vista por setores europeus e ucranianos como excessivamente inclinada aos interesses de Moscou.
Zelensky afirmou que os contatos se intensificaram nas últimas horas e reforçou a expectativa de que esse esforço conjunto possa gerar algum avanço. “As delegações ucraniana e americana, assim como as delegações de nossos parceiros europeus, estão em contato próximo, e espero que haja um resultado”, escreveu no X. Para ele, é um sinal positivo que a diplomacia tenha sido “revigorada” e que o ambiente continue “construtivo”.
Enquanto isso, os EUA participam do encontro com uma equipe de alto escalão, formada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo secretário do Exército, Daniel P. Driscoll.
Um funcionário norte-americano afirmou que Driscoll teve “boas reuniões” com os ucranianos na noite de sábado 22, avaliadas internamente como “positivas e construtivas”.
Ao longo do domingo, estavam previstas rodadas mais formais entre as delegações, além da possibilidade de os americanos realizarem uma conversa reservada com diplomatas russos, sem detalhes divulgados.
O chefe de gabinete de Zelensky, Andriy Yermak, que lidera o grupo de Kiev na cidade suíça, também buscou transmitir confiança, de acordo com a rede ABC.
Segundo ele, a delegação ucraniana iniciou os encontros com autoridades europeias “em um clima muito construtivo”, em meio à preocupação de que Washington esteja pressionando por um entendimento que implique concessões indesejadas.
Os governos europeus, por sua vez, reforçaram que nenhum arranjo poderá ser costurado sem consentimento explícito da Ucrânia e alinhamento com os aliados do continente. O tom adotado reflete o incômodo com a leitura predominante entre analistas: a de que o plano norte-americano, se adotado como base, colocaria Kiev em desvantagem.
Zelensky questiona aspectos do plano
O plano, questionado por Zelensky, prevê que a Ucrânia reconheça “de fato” certas regiões como sob controle russo, incluindo partes do Donbas (Donetsk e Luhansk) e a Crimeia.
Também limita o tamanho das Forças Armadas ucranianas a um teto de 600 mil soldados e exige que a Ucrânia “consagre em sua Constituição” a renúncia à adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
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Inclui garantias de segurança para o país, embora com termos vagos sobre implementação, e propõe uma “anistia total” para ações ocorridas durante a guerra, o que pode abranger crimes de guerra, o que é preocupante, principalmente, na visão do presidente ucraniano.
Sugere ainda a reintegração gradual da Rússia à economia global, com possível alívio das sanções e retorno de Moscou a fóruns como o G8. Por fim, estabelece que a Ucrânia realize eleições em até 100 dias, gerando preocupação sobre uma suposta coerção política que enfraqueça Zelensky.
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