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Em cúpula desfalcada, Brics divulga comunicado final 'morno' sem citar os EUA

Sem a presença de Xi Jinping e Putin, as lideranças presentes evitaram críticas diretas às potencias globais e miraram em Israel

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a reunião de abertura da Cúpula do BRICS, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, Brasil, em 6 de julho de 2025. | Foto: Ricardo Moraes/Reuters
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa durante a reunião de abertura da Cúpula do BRICS, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, Brasil, em 6 de julho de 2025. | Foto: Ricardo Moraes/Reuters

ENVIADO ESPECIAL AO RIO DE JANEIRO — O Ministério das Relações Exteriores divulgou, na tarde deste domingo, 6, o comunicado final da 17ª Cúpula do Brics.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, o premiê da China, Li Qiang, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o primeiro-ministro do Egito, Mostafa Madbouly, o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, posam para uma foto de família durante a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro, Brasil, em 6 de julho de 2025. | Foto: REUTERS/Pilar Olivares
Foto de família durante a Cúpula do BRICS no Rio de Janeiro | Foto: Pilar Olivares/Reuters

O documento, chamado “Declaração do Rio de Janeiro”, tem o seguinte título: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”.

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O texto trata de uma série de questões, como:

  • 1. Defesa do multilateralismo;
  • 2. Reforma da governança internacional;
  • 3. Cooperação econômica e financeira;
  • 4. Ação climática e ambientais;
  • 5. Saúde pública e equidade;
  • 6. Enfoque no Sul Global;
  • 7. Adesão de novos membros;
  • 8. Conflitos e segurança global;
  • 9. Inovação, tecnologia e infraestrutura; e
  • 10. Cooperação setorial ampla.

Nas 38 páginas que compõem o documento, não aparece nenhuma vez a palavra Estados Unidos e apenas uma vez é citada a Ucrânia. Já Israel é condenado sete vezes por causa da guerra em Gaza.

Os países do Brics também sinalizaram apoio a projetos que visem a regulação das big techs.

A diplomacia brasileira procurou adotar um tom moderado em relação aos Estados Unidos, contrariando o desejo do Irã, que pressionava por uma declaração firme contra os ataques direcionados ao seu programa nuclear clandestino.

Saiba mais: Celso Amorim tenta manter o fôlego com ‘Brics vazio’

“Condenamos os ataques militares contra a República Islâmica do Irã desde 13 de junho de 2025, que constituem uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e expressamos profunda preocupação com a subsequente escalada da situação de segurança no Oriente Médio“, diz o texto. “Expressamos ainda séria preocupação com os ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas sob totais salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em violação ao Direito Internacional e a resoluções pertinentes da AIEA. As salvaguardas e a segurança nucleares devem ser sempre respeitadas, inclusive em conflitos armados, para proteger as pessoas e o meio ambiente contra danos. Neste contexto, reiteramos nosso apoio às iniciativas diplomáticas destinadas a enfrentar os desafios regionais. Exortamos o Conselho de Segurança das Nações Unidas a se ocupar desta questão.”

No caso da guerra na Ucrânia, a Rússia não é citada nominalmente nem responsabilizada pela invasão iniciada no dia 24 de fevereiro de 2022.

Saiba mais: Cúpula do Brics começa vazia e sob tensão diplomática; veja lista de desfalques

“Recordamos nossas posições nacionais em relação ao conflito na Ucrânia, expressas nos fóruns apropriados, incluindo o CSNU e a AGNU”, diz o documento. “Registramos com apreço as propostas relevantes de mediação e bons ofícios, incluindo a criação da Iniciativa Africana de Paz e do Grupo de Amigos para a Paz, voltadas para a resolução pacífica do conflito por meio do diálogo e da diplomacia. Esperamos que os esforços atuais conduzam a um acordo de paz sustentável.”

O Irã pressionou para incluir críticas a Israel

A delegação iraniana tentou retirar do texto final qualquer menção à solução de dois Estados — um para Israel e outro para a Palestina — como caminho para superar o conflito no Oriente Médio.

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No entanto, essa fórmula implicaria reconhecer o direito de existência do Estado de Israel — algo que o regime dos aiatolás não aceita. O Irã se recusa até mesmo a mencionar o nome do país, referindo-se a a Israel apenas como “entidade sionista”. Essa expressão, aliás, não foi incorporada ao texto final dos Brics.

Brasil e Índia evitaram declaração final antiamericana

As diplomacias do Brasil e da Índia trabalharam intensamente para evitar palavras agressivas contra os Estados Unidos, para que o bloco não aparecesse como antiamericano ou antiocidental.

A Índia está construindo uma parceria cada vez mais estreita com os Estados Unidos, especialmente no setor de segurança e defesa e de inteligência, principalmente em virtude da contenção da China na Ásia.

O Brasil, por sua vez, não queria se indispor ainda mais com o governo do presidente Donald Trump, em um momento em que existe a possibilidade da aplicação de sanções via Lei Magnitsky contra ministros dos Supremo Tribunal Federal (STF).

Cúpula vazia, posições divergentes

A ausência do ditador chinês Xi Jinping, do ditador russo Vladimir Putin, do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, do presidente iraniano Masoud Pezeshkian e do ditador do Egito Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, entre outros líderes de países membros, deu uma percepção de esvaziamento da cúpula.

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Além disso, surgiram divergências entre países membros do Brics. Entre elas, sobre a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), onde o Brasil tem a ambição de ocupar um assento permanente, junto da Índia e da África do Sul.

Outros países, todavia, têm reinvindicações parecidas, como o Egito e a Etiópia, ou tentam evitar uma redução de seu poder no órgão, como a China.

Fontes diplomáticas ouvidas por Oeste durante a cúpula do Brics afirmaram que a ausência dos chefes de Estado dos países membros e associados é um indicativo claro de que eles preferem negociar diretamente com os Estados Unidos, a fim de evitar um posicionamento coletivo que poderia contrariar seus próprios interesses.

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6 comentários
  1. O BELFORROXENSE
    O BELFORROXENSE

    FLOP total, hahaha e com direito a foto com a🐔junto…

  2. Fernando Lopes
    Fernando Lopes

    Ele pensou que ia discursar pros metalurgicos do ABC dos anos 80. Nao tenha relevancia nenhuma esse senhor.

  3. Ana Cláudia Chaves da Silva
    Ana Cláudia Chaves da Silva

    Nossa, mas que fiasco. Tanta mobilização, tanto estardalhaço, para um encontro que não agregou absolutamente nada para nenhum país. Pior, mais gasto público em vão. Governo inútil, incompetente.

  4. Christian
    Christian

    Ou seja : NÃO DEU EM NADA.
    Poderiam ter cancelado ou adiado que daria no mesmo.
    Só o dinheiro do Erário que foi mais uma vez surrupiado.

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