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Como foi a libertação de refém israelense no Iraque

Elizabeth Tsurkov foi libertada depois de dois anos e meio de cativeiro e será levada para Israel nesta quarta-feira, 9

Elizabeth Tsurkov refém israelense libertada no Iraque
Elizabeth Tsurkov estava realizando pesquisas sobre milícias | Foto: Reprodução/Israel Hayom

A pesquisadora israelense e russa Elizabeth Tsurkov, mantida até terça-feira 9 como refém, foi entregue à Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, segundo confirmou o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani. Ela foi libertada depois de quase dois anos e meio em cativeiro no Iraque.

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Sudani destacou que a operação decorreu de “seguindo esforços extensivos das forças de segurança ao longo de muitos meses.” A acadêmica será transportada para Israel nesta quarta-feira, 10, à tarde, e levada ao Hospital Sheba, em Ramat Gan, onde receberá atendimento semelhante ao aplicado a reféns libertados de Gaza.

Tsurkov, de 38 anos, estava desaparecida desde março de 2023, quando realizava pesquisas de doutorado em Princeton sobre milícias xiitas no Oriente Médio. Ela entrou no Iraque com passaporte russo, já que cidadãos israelenses não têm permissão de entrada no país.

A militância xiita Kataeb Hezbollah, apoiada pelo Irã, reivindicou o sequestro, acusando-a de espionagem, o que foi negado pela pesquisadora e por sua família. Um vídeo divulgado pelo grupo em novembro de 2023 foi a única evidência de vida que a família recebeu, conta a mídia israelense.

A família expressou alívio e gratidão à equipe norte-americana envolvida na libertação. A irmã de Elizabeth, Emma Tsurkov, afirmou: “Toda a minha família está exultante”, afirmou ela. “Mal podemos esperar para ver Elizabeth e cobri-la com o amor que temos guardado por 903 dias. Somos profundamente gratos ao presidente [Donald]Trump e ao seu enviado especial Adam Boehler.”

Emma considerou a atuação de Boehler fundamental.

“Se Adam não tivesse feito da volta da minha irmã sua missão pessoal, eu não sei onde estaríamos hoje. Também queremos agradecer a Josh Harris e sua equipe na Embaixada dos EUA em Bagdá pelo apoio, e ao pessoal da organização sem fins lucrativos Global Reach, que trabalhou incansavelmente para trazer minha irmã para casa em segurança.”

A mãe, Irina, desabafou ao Army Radio: “Estou enlouquecendo”, disse, em tom de empolgação. “É uma alegria insana, felicidade. Esperei por este momento por quase dois anos e meio.” Ela acrescentou: “Espero que todas as famílias de nossos reféns recebam a mesma notícia” e “que todos os reféns sejam libertados em breve.”

A libertação, segundo fontes israelenses, envolveu intensa coordenação entre EUA e Israel, com participação de autoridades, como o presidente Trump e o coordenador de Reféns e Pessoas Desaparecidas de Israel, Gal Hirsch.

Segundo Hirsch, durante o cativeiro, Tsurkov tinha conhecimento dos esforços feitos para resgatá-la:

O premiê Benjamin Netanyahu também agradeceu a Trump e afirmou que Israel seguirá empenhado “até trazermos todos os nossos reféns de volta para casa, vivos ou mortos.”

Embora os detalhes do acordo não tenham sido totalmente esclarecidos, relatos revelam que a libertação pode ter envolvido negociações sobre a soltura de prisioneiros iraquianos e discussões sobre a possível libertação de Imad Amhaz, membro da milícia libanesa Hezbollah capturado por comandos israelenses.

Uma fonte do Kataeb Hezbollah disse à AFP que Tsurkov “foi libertada de acordo com condições, sendo a mais importante facilitar a retirada das forças dos EUA sem combate e poupar o Iraque de quaisquer conflitos ou combates.”

Cativeiro da refém libertada

Entre os protocolos que podem ser realizados em relação a Tsurkov, estão internação em alas especiais para reabilitação física e psicológica e reencontro gradual com familiares. Trump afirmou nas redes sociais que a acadêmica estava livre “depois de ser torturada por muitos meses,” ressaltando a gravidade de seu período em cativeiro.

Leia mais: “Netanyahu diz que Israel não desistirá até ‘vitória completa’ em Gaza”

O cativeiro de Tsurkov ocorreu em meio a uma escalada de tensões regionais, com ataques frequentes de milícias xiitas ligadas ao Irã contra forças norte-americanas no Iraque e na Síria, respondidos pelos EUA com bombardeios seletivos.

Ainda não se sabe se Israel fez concessões específicas aos sequestradores. O embaixador israelense na ONU, Danny Danon, declarou: “Certamente, nós estivemos envolvidos em diferentes esforços, não sozinhos, com outros parceiros, mas a questão estava no topo de nossas prioridades.”

Tsurkov, que também realizou trabalhos em solidariedade ao povo sírio em Tel-Aviv, poderá finalmente reencontrar sua família e retomar sua vida acadêmica.

O outro Hezbollah

O Kata’ib Hezbollah (KH) é uma milícia xiita iraquiana. Foi formada em março de 2003, durante a invasão do Iraque pelas forças dos EUA e do Reino Unido. Foi fundada por Abu Mahdi al-Muhandis, iraquiano com cidadania iraniana e estreitamente ligado à Força Quds do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã (IRGC).

Muhandis foi morto por bombardeio norte-americano em 2020. O grupo é considerado uma organização terrorista pelos EUA desde 2009.

Embora compartilhem o nome “Hezbollah”, o Kata’ib Hezbollah e o Hezbollah libanês são organizações distintas, com origens, estruturas e áreas de atuação diferentes. Ambos são aliados do Irã e fazem parte do chamado Eixo da Resistência, rede de grupos xiitas apoiados por Teerã que inclui também o Hamas e as Forças de Mobilização Popular no Iraque.

Leia também: “Nova York em alerta”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 277 da Revista Oeste

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