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Cofundador da OceanGate anuncia viagem ao 3° buraco mais fundo da Terra 

Um ano depois do desastre do submarino Titan, Guillermo Söhnlein organiza expedição ao Dean’s Blue Hole, nas Bahamas

Dean’s Blue Hole é o novo destino do cofundador da OceanGate, Guillermo Söhnlein
Guillermo Söhnlein classifica o buraco como 'escuro, desconhecido, imprevisível e de pressão extrema' | Foto: Flickr/Lucas Vimpere

Um ano depois da implosão do submarino Titan, em viagem aos destroços do Titanic, o cofundador da OceanGate Guillermo Söhnlein avisou que fará viagem ao terceiro buraco mais fundo da Terra, o Dean’s Blue Hole, nas Bahamas. Ele fez o anúncio nesta sexta-feira, 21.

Söhnlein, no entanto, organiza a expedição pela empresa Blue Marble Exploration, da qual também é fundador. Ele deixou a OceanGate em 2013, apenas quatro anos depois de tê-la criado junto com Stockton Rush. Esse segundo morreu no desastre do ano passado. 

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O Dean’s Blue Hole (Buraco Azul de Dean, em tradução livre) tem profundidade de 202 metros e fica com o posto de terceiro maior buraco do planeta. À frente dele, estão apenas o Buraco do Dragão (300,89 m), no Mar da China Meridional, e o Taam Ja’ Blue Hole (420 m), a sudeste do México, no Caribe. 

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A empresa de Söhnlein descreve o buraco como sendo apenas “virtualmente explorado”. Ou seja, a expedição ao local é inédita. Ainda segundo a Blue Marble Exploration, quem participar da viagem pode “esperar o inesperado”. 

“Os moradores locais acreditam que Dean’s é um portal para o inferno e que o próprio Diabo se esconde nas profundezas negras”, informa o site da empresa. “Todos os anos, várias pessoas se afogam no Dean’s devido a diversos infortúnios. Esperamos encontrar restos humanos e nos preparar para lidar com essas situações com o devido respeito pelas famílias.”

Leia mais: “A origem da encrenca”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 222 da Reviste Oeste

Não se sabe o tipo de submarino que a empresa vai usar na viagem. O que a Blue Marble Exploration lista como desafios são águas desconhecidas, correntes imprevisíveis, pressão extrema, escuridão quase total e localização remota. 

Relembre o desastre: a implosão do submarino da OceanGate

Titanic - titan - submarino da OceanGate
O submarino para cinco pessoas, Titan, que implodiu no Oceano Atlântico em junho do ano passado | Foto: Reprodução/OceanGate

Em 18 de junho de 2023, a OceanGate informou que o submarino que tinha como destino os destroços do navio Titanic estava desaparecido. Depois de dias de procura e teorias, em 22 de junho, a Guarda-Costeira dos Estados Unidos confirmou a implosão do veículo e a morte dos cinco tripulantes

As sete falhas do submarino Titan

  • 1 — Escotilha que suportava pouca pressão

Em 2018, o então diretor de operações da OceanGate, David Lochridge, disse que a escotilha do submarino só suportaria, sem problemas, pressão de até 1,3 mil metros de profundidade (os destroços do Titanic estão a quase 4 mil metros de profundidade). O executivo acabou deixando a empresa.

  • 2 — Problemas de comunicação

O Titan tinha falhas na parte de comunicação. Repórter da emissora norte-americana CBS News, David Pogue realizou, em 2022, a expedição até os destroços do Titanic. Ele registrou que o veículo não contava com sistema de GPS e era guiado por mensagens de texto enviadas a partir de um barco que ficava na superfície.

  • 3 — Controle de PlayStation

Ao realizar a expedição, o jornalista também informou que o submarino era guiado por um controle de videogame. O que era verdade. Os comandos do Titan eram feitos com um modelo adaptado do Logitech F710, que se assemelha ao modelo de joystick do PlayStation.

  • 4 — Alerta de especialistas

Carta assinada por 38 empresários, oceanógrafos e pesquisadores de águas profundas alertou a direção da OceanGate sobre “resultados negativos (de menores a catastróficos) com sérias consequências para todos” do Titan. A empresa fabricante do submarino ignorou o material, enviado em 2018.

  • 5 — Problemas técnicos anteriores

O repórter Pogue também relatou que o Titan apresentava problemas técnicos, isso na viagem que ele fez no ano passado. De acordo com o jornalista, o submarino ficou mais de duas horas sem comunicação, “perdido” no Oceano Atlântico Norte.

  • 6 — Sem regulação nos Estados Unidos

Apesar de a OceanGate ser de origem norte-americana, os Estados Unidos não têm devida regulamentação do Titan. Por causa disso, a empresa lançava o submarino longe do litoral norte-americano, já em águas internacionais, sem ter de seguir as normas da Guarda-Costeira do país.

  • 7 — Embarcação experimental

O Titan era, oficialmente, um veículo subaquático de caráter “experimental”. É o que mostrou o repórter da CBS News a respeito do documento que teve de assinar para poder realizar a expedição aos destroços do Titanic. No material, também constava a informação de que o submarino não tinha sido “aprovado nem homologado por nenhum órgão regulador e a viagem poderia resultar em ferimentos, trauma emocional ou morte.”

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