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China deve enviar sistemas antiaéreos ao Irã, diz inteligência dos EUA

Relatórios apontam possível transferência de mísseis portáteis; Pequim nega e afirma atuar por cessar-fogo

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China e Irã são parceiros comerciais, sobretudo na compra e venda de petróleo | Foto: Montagem/Revista Oeste, via Gemini

Relatórios de inteligência dos Estados Unidos indicam que a China se prepara para enviar novos sistemas de defesa aérea ao Irã nas próximas semanas. Teerã pode estar aproveitando o cessar-fogo para recompor parte de seu arsenal com apoio de parceiros estrangeiros, disseram três fontes com acesso a avaliações recentes à emissora CNN.

Duas dessas fontes afirmaram haver indícios de que Pequim tenta encaminhar os envios por países terceiros, numa tentativa de ocultar a origem do material. Os equipamentos em questão seriam sistemas portáteis de defesa antiaérea, conhecidos como Manpads.

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Durante as cinco semanas de conflito, esse tipo de armamento representou uma ameaça assimétrica a aeronaves militares norte-americanas em voos de baixa altitude. O risco pode se repetir caso a trégua seja rompida.

Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, da China, no G20, em 2019
Donald Trump e Xi Jinping, no G20, em 2019 | Foto: Reprodução/Xinhua

A embaixada chinesa em Washington negou as acusações. Em nota, um porta-voz disse que “a China nunca forneceu armas a nenhuma das partes envolvidas no conflito” e classificou as informações como falsas. Acrescentou que o país “cumpre consistentemente suas obrigações internacionais” e instou os EUA a evitarem “alegações infundadas” e “sensacionalismo”.

No início da semana, outro representante diplomático chinês havia declarado que Pequim atua desde o começo da guerra para promover um cessar-fogo e encerrar o conflito.

Mísseis ofensivos das Forças Armadas da República Islâmica do Irã, em Teerã (9/9/2019) | Foto: Shutterstock

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em entrevista coletiva na última segunda-feira, 6, que um caça F-15 abatido sobre o Irã teria sido atingido por um “míssil portátil de ombro, guiado por calor”. O governo iraniano afirmou ter utilizado um “novo” sistema de defesa aérea, sem detalhar sua origem.

Caso confirmada, a transferência de Manpads representaria uma escalada no nível de apoio chinês ao Irã desde o início da ofensiva conjunta de EUA e Israel, em fevereiro.

Bombardeios do Irã contra Israel, neste domingo, 1º
Bombardeios do Irã contra Israel em 1º de março | Foto: Reprodução/X

Até agora, segundo fontes, empresas chinesas continuaram fornecendo tecnologia de uso dual — civil e militar — que permite a Teerã manter a produção de armamentos e aprimorar sistemas de navegação. O envio direto de armas pelo governo, porém, marcaria um novo patamar de envolvimento.

A Casa Branca informou, na última quarta-feira, 8, que houve contatos de alto nível entre autoridades norte-americanas e chinesas, enquanto avançavam as negociações de cessar-fogo com o Irã. Está previsto também um encontro entre Trump e o líder chinês, Xi Jinping, em maio, em Pequim.

China nega pretensão de envolvimento aberto entre EUA e Irã

Segundo uma das fontes ouvidas, a China não vê vantagem estratégica em se envolver abertamente no conflito para proteger o Irã contra EUA e Israel, cenário considerado desfavorável.

Xi Jinping, ditador da China, ao lado Vladimir Putin, líder da Rússia, na cúpula do Brics | Foto: Ramil Sitdikov/Photohost agency brics-russia2024.ru

A estratégia, avalia, é manter-se como parceira de Teerã — país do qual depende fortemente no fornecimento de petróleo — ao mesmo tempo em que preserva uma posição externa de neutralidade.

Autoridades chinesas poderiam sustentar que sistemas de defesa aérea têm caráter defensivo, diferentemente do apoio prestado pela Rússia ao Irã. Moscou, segundo relatos, forneceu inteligência ao regime iraniano durante a guerra, contribuindo para ataques contra tropas e instalações americanas no Oriente Médio.

Irã, China e Rússia mantêm relações militares e econômicas consolidadas. Teerã também tem apoiado Moscou na guerra contra a Ucrânia, com o fornecimento de drones, e destina à China a maior parte de seu petróleo sob sanções.

Leia também: “O avanço da China no Oriente Médio“, reportagem de Eugênio Goussinsky publicada na Edição 311 da Revista Oeste

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