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China custa 7 milhões de empregos para os EUA

Trump tenta recuperar proeminência norte-americana no mercado internacional

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Donald Trump, presidente dos EUA, e Xi Jinping, presidente da China, no início de sua reunião bilateral na cúpula dos líderes do G20 em Osaka, Japão (29/6/2019) | Foto: Reuters/Kevin Lamarque

Esta sexta-feira, 25, é a última antes do fim do prazo dado por Donald Trump para aplicar uma taxação sobre produtos do Brasil. Embora o país esteja na mira, o verdadeiro alvo do ex-presidente norte-americano fica no Extremo Oriente. Trata-se da China, que ganha com as exportações para os EUA o equivalente ao salário anual de milhões de operários na América.

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Somente em 2024, os norte-americanos compraram US$ 440 bilhões em produtos chineses. O valor equivale aos salários de quase 7 milhões de trabalhadores da indústria nos Estados Unidos, durante um ano inteiro. É um exército que Trump precisa manter satisfeito — e a guerra comercial é o caminho eleito para o desafio.

+ Leia mais: “Fora da elite até no Brics”, reportagem de Artur Piva para a Edição 279 da Revista Oeste

Além disso, a Casa Branca pretende evitar a perda de mais um aliado na América Latina — como aconteceu com a Venezuela. A diferença, nesse caso, é que Brasília tem muito mais peso no mundo do que Caracas. O potencial para estragos supera o da ditadura de Nicolás Maduro. Os brasileiros geram US$ 2 trilhões em riqueza por ano — 20 vezes mais do que os US$ 100 bilhões dos venezuelanos.

Ditadura das compras

Nenhum povo fatura mais com o comércio global do que os chineses. Em 2024, a balança comercial do país somou US$ 3,8 trilhões — a maior cifra entre todas as nações, segundo dados do Banco Mundial.

A China chegou a essa posição pela primeira vez em 2013, enquanto Barack Obama ocupava a Casa Branca. Pequim e Washington mantiveram ganhos semelhantes com o mercado externo nos anos seguintes, até 2020 — o ano da pandemia.

Ano do vírus

O coronavírus surgiu na China em dezembro de 2019 e chegou aos EUA em janeiro de 2020. No ano do desembarque, a receita dos chineses com exportações aumentou em US$ 100 bilhões, enquanto a dos norte-americanos caiu em US$ 400 bilhões. Trump, agora, quer inverter essa virada — e o Brasil é uma das maiores chaves para isso.

As vendas brasileiras não são propriamente um problema para a Casa Branca. Embora estejam sob vigilância, em muitos casos trazem vantagens. A maior parte das exportações é de bens intermediários — ou seja, matérias-primas que abastecem os operários nas fábricas. Todo mundo ganha. A grande questão é tudo que o Brasil deixou de comprar com o selo Made in USA.

Virada da China sobre os EUA — no Brasil

Em 2024, nenhum mercado foi mais importante para os brasileiros do que o chinês — tanto para vender quanto para comprar. Essa proeminência começou a se consolidar em 2009 e se firmou de vez em 2019.

A primeira virada veio do lado da demanda. Desde 2009, a China é o maior comprador dos produtos brasileiros. O faturamento vem, sobretudo, de commodities como grãos, carne e minérios. É comida para os operários e alimento para os negócios.

Já em 2020, os chineses ultrapassaram os norte-americanos como principais fornecedores do mercado brasileiro. No início, os produtos eram vistos como de segunda linha. Mas, ao longo da pandemia, as marcas chinesas se firmaram — e hoje já são referência em alguns segmentos. Entre eles, o de carros elétricos.

A marcha dos carros

Enquanto a Tesla, referência em eletrificação nos EUA, ainda não possui operações próprias no Brasil, a chinesa BYD se espalhou pelas ruas das principais cidades brasileiras. Os carros da marca custam mais de R$ 100 mil e incomodam até as montadoras focadas em motores a combustão.

De janeiro a junho de 2025, a BYD vendeu quase 48 mil veículos no Brasil. O volume colocou a marca na 8ª posição do mercado nacional. Foi o suficiente para a maca da China deixar a Ford para trás — um símbolo da indústria automobilística dos EUA.

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