Na última segunda-feira, 4, a agência estatal Venezuela News divulgou uma charge provocativa ao Ministério de Relações Exteriores do Brasil. A imagem sugere uma ligação secreta entre o Itamaraty, em Brasília, e a Embaixada dos Estados Unidos. O Tio Sam, ícone personagem dos EUA, aparece ao cavar um túnel, insinuando influência oculta dos EUA sobre o órgão brasileiro.
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O regime do ditador Nicolás Maduro promove essa narrativa desde que o Brasil rejeitou a inclusão da Venezuela no Brics. Isso ocorreu durante a cúpula do grupo realizada em Kazan, na Rússia, há quase duas semanas. A decisão gerou tensões diplomáticas entre os países.
No dia 24 de outubro, um dia depois de a lista de países convidados ao Brics não incluir a Venezuela, a mesma agência direcionou um ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na ocasião, uma charge retratou uma figura semelhante a Lula dentro de um cavalo de Troia, insinuando que ele agia em favor dos EUA enquanto fingia apoiar a Venezuela. Na imagem, Lula ainda usa um chapéu com as cores norte-americanas.
Desde então, outras quatro charges criticaram o petista. Em uma delas, ele sai de um armário de terno com as cores dos EUA. Em outra, ele é mostrado com o chapéu do Tio Sam, observando Maduro e Vladimir Putin se cumprimentaremo. Maduro esteve em Kazan na tentativa de reverter o veto ao Brics.
Críticas recorrentes ao presidente brasileiro
Em outra charge, Lula é representado como um cachorro ao sair de uma caixa de transporte para animais. Ele aparece junto de líderes, como Javier Milei, da Argentina, e Gabriel Boric, do Chile, ambos críticos do regime de Maduro.
A associação de símbolos norte-americanos a críticos é recorrente na propaganda do regime venezuelano. Das 34 charges mais recentes, 12 incluem referências aos EUA. Recentemente, María Corina Machado e Jennie Lincoln foram representadas como aliadas dos interesses americanos.
Tensão política na Venezuela

O Carter Center, por sua vez, afirma que, baseado em atas divulgadas pela oposição, Edmundo González venceu as eleições de julho. O regime de Maduro reivindica vitória sem provas.
Nos últimos dias, os ataques venezuelanos se voltaram contra o governo de Lula, antes visto como aliado do regime. Até o assessor especial de Lula, Celso Amorim, recebeu a alcunha de “mensageiro do imperialismo norte-americano”.
Amorim, conhecido por seu entusiasmo pelo Sul Global e como fundador do Brics, tem visto o Itamaraty optar por não responder aos ataques. O governo brasileiro mantém uma postura de silêncio diante das provocações venezuelanas, buscando evitar um confronto direto. O jornal O Estado de S. Paulo chamou a opção brasileira de “fidelidade canina”.
Leia também: “Lições da Venezuela”, artigo de Alexandre Garcia publicado na Edição 232 da Revista Oeste






































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