publicidade
Mundo

Caso Jeffrey Epstein: brasileira diz que outras 50 foram vítimas

Marina Lacerda revelou que dezenas de compatriotas também sofreram abusos na mansão do empresário nos Estados Unidos

Marina Lacerda, brasileira vítima do empresário Jeffrey Epstein
Marina Lacerda, brasileira vítima do empresário Jeffrey Epstein | Foto: Reprodução/TV Globo

O caso de Jeffrey Epstein voltou a ganhar destaque no Brasil depois de um depoimento da mineira Marina Lacerda, que revelou à BBC News Brasil que dezenas de brasileiras também passaram pela mansão do empresário nos Estados Unidos. Segundo ela, muitas dessas jovens teriam sido vítimas de abuso sexual, situação semelhante à que viveu na adolescência.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

Marina estima que cerca de 50 brasileiras estiveram no local. “Pelo menos umas 50 brasileiras, eu acho”, contou. “Eu levei algumas dessas meninas, e elas levaram outras meninas.”

Ela relatou que, ainda adolescente e imigrante, enfrentava dificuldades financeiras e acabou envolvida no esquema por meio de um grupo de jovens brasileiras ligadas a uma igreja em Astoria, bairro de Nova York conhecido pela comunidade brasileira.

Documentos e relatos expõem rede de aliciamento

O financista norte-americano Jeffrey Epstein, em uma fotografia tirada para o registro de agressores sexuais - 28/3/20217 | Foto: Divisão de Serviços de Justiça Criminal do Estado de Nova York/Divulgação via Reuters
O financista norte-americano Jeffrey Epstein, em uma fotografia tirada para o registro de agressores sexuais – 28/3/20217 | Foto: Divisão de Serviços de Justiça Criminal do Estado de Nova York/Divulgação via Reuters

O nome do Brasil apareceu em documentos recentemente divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que mencionaram um “grande grupo brasileiro” ligado a Epstein, embora detalhes e nomes permaneçam sob sigilo. Marina, que chegou aos EUA aos 8 anos, contou que aceitou trabalhar para Epstein depois de ser apresentada por uma amiga, quando tinha 14 anos. Ela inicialmente acreditava que seria apenas uma sessão de massagem, mas percebeu que a situação era mais grave ao chegar na mansão.

Marina relatou que Epstein fazia perguntas sobre sua origem e idade, e, durante a visita, tentou tocá-la. Ela recusou, mas a colega que a acompanhava acabou envolvida. Segundo Marina, Epstein era agressivo com algumas das meninas e pagava quantias em dinheiro depois dos encontros. “Você nunca ganhou 300 dólares em 40 minutos”, teria dito a amiga, ao justificar a situação.

Com o tempo, Marina passou a ser solicitada para levar outras jovens à mansão, especialmente imigrantes que, como ela, viviam em situação vulnerável. “Meninas que estavam necessitando trabalhar porque eram imigrantes, não tinham documentos de imigração, não tinham família”, disse. “Um montão de brasileiras, russa, hispânicas. Levamos várias brasileiras, infelizmente.”

Ela relatou que Epstein demonstrava preferência por meninas mais jovens e chegou a reclamar quando ela levava garotas consideradas “velhas”. Marina também mencionou episódios de racismo por parte do empresário ao recusar pagar uma brasileira negra. Durante os anos em que frequentou a casa, ela afirma que foi abusada, dos 14 aos 17 anos, e levou outras jovens, que também passaram a convidar amigas.

Depoimentos e denúncias contra Epstein

Em 2008, o FBI procurou Marina para prestar depoimento sobre Epstein, mas ela diz que teve medo e não revelou tudo o que sabia. Na ocasião, relatou ter recebido orientações para não cooperar com as autoridades. Apenas em 2019, decidiu detalhar suas experiências. Epstein morreu em agosto de 2019, na prisão, antes do julgamento.

Depois de vir a público, Marina participou de entrevistas e coletivas ao lado de outras vítimas, para a divulgação dos documentos do caso. Ela utiliza redes sociais para conscientizar sobre abusos e relata que sofre ataques virtuais por compartilhar sua história.

Leia também: “Anestesia geral”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 301 da Revista Oeste

“Depois que quebrei meu silêncio, eu não tenho parado”, explicou à BBC News Brasil. “Abri plataformas e comecei a falar em podcasts. Falo de como ensinar nossas crianças a falar não. O abuso sexual, emocional, financeiro, físico, começa com a gente. O que você deixa acontecer. Muitos pais não têm esse conhecimento.”

Marina também relatou que outras mulheres latinas a procuram, mas têm receio de se expor por críticas e ameaças. Ela diz que os comentários ofensivos que recebe acabam desestimulando novas denúncias por parte de outras vítimas.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.