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Caso Epstein abala governo, mas premiê britânico descarta renúncia

Dois assessores próximos deixaram os cargos depois da nomeação de Peter Mandelson como representante diplomático no exterior

Keir Starmer, o primeiro-ministro do Reino Unido
A renúncia de dois nomes estratégicos escancarou a insatisfação interna e aumentou a pressão externa contra o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer | Foto: Kin Cheung/Reuters

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, decidiu manter-se no cargo mesmo diante da pressão crescente provocada por sua escolha para a Embaixada Britânica nos Estados Unidos.

Em reunião com sua equipe na manhã desta segunda-feira, 9, o premiê descartou a possibilidade de renunciar, apesar da saída de dois assessores próximos e do desgaste político provocado pela nomeação de Peter Mandelson, envolvido em um escândalo ligado ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.

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A crise ganhou força neste domingo, 8, quando Morgan McSweeney, assessor mais influente de Starmer, pediu demissão em repúdio à indicação de Mandelson. Hoje, foi a vez do chefe de Comunicação de Downing Street, Tim Allan, abandonar o posto.

A renúncia de dois nomes estratégicos escancarou a insatisfação interna e aumentou a pressão externa contra o primeiro-ministro. Líderes da oposição, parlamentares trabalhistas e o mercado financeiro reagiram com desconfiança ao cenário.

O custo dos empréstimos públicos aumentou diante do receio de que o Partido Trabalhista sofra um novo abalo e ceda espaço a lideranças mais radicais, favoráveis ao aumento de gastos e endividamento.

Em pronunciamento à equipe, Starmer admitiu arrependimento pela escolha de Mandelson. No entanto, afirmou que o foco do governo segue o mesmo: reverter a crise do custo de vida e recuperar a economia do país.

Ele elogiou McSweeney, a quem chamou de “amigo” e principal responsável pela vitória eleitoral de 2024. “Seguimos com confiança enquanto continuamos mudando o país”.

E-mails revelam diálogo entre Mandelson e Epstein

As suspeitas sobre Mandelson surgiram em janeiro. Na ocasião, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou e-mails em que ele aparece tratando de assuntos confidenciais com Epstein durante a crise financeira.

Leia também: “Caso Epstein derruba o braço direito de premiê do Reino Unido”

Os documentos sugerem que o ex-ministro repassou a Epstein informações sobre vendas de ativos e possíveis mudanças tributárias no Reino Unido.

Leia também: “Epstein e os homens imorais”, artigo de Rodrigo Constantino publicado na Edição 308 da Revista Oeste

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