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Bispo exilado denuncia 'falsa paz' imposta por ditador na Nicarágua

Silvio Báez associa sofrimento a reconciliação e condena regimes que restringem liberdades civis

Bispo Silvio Báez Facebook da Paróquia Católica de Santa Ágata
Dados da Igreja mostram que 309 religiosos deixaram o país centro-americano | Foto: Reprodução/ Aciprensa

Exilado desde 2019, o bispo nicaraguense Silvio Báez criticou o que chamou de “falsa paz” imposta por ditadores do país. Ele fez a declaração em 12 de abril, durante missa na Igreja de Santa Ágata em Miami. As informações são da Agência Católica de Notícias (ACI).

A Nicarágua está sob o regime de Daniel Ortega desde 2007. O país enfrenta perseguição religiosa, com restrições a atividades de diversas congregações.

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Durante a homilia, Báez associou sua mensagem a uma passagem bíblica. No trecho, Jesus ressuscitado mostra as chagas ao apóstolo Tomé. O bispo afirmou que, assim como as feridas de Cristo se tornaram gloriosas, o sofrimento do povo nicaraguense pode impulsionar reconciliação.

“Serão cicatrizes curadas pelo amor de Deus, feridas gloriosas para sempre, feridas de amor destinadas à eternidade”, afirmou Báez. “Um dia, serão apenas cicatrizes históricas que nos lembrarão do passado doloroso de injustiça e opressão, para que nunca o repitamos”

Bispo defende verdadeira paz

O bispo citou vigília pela paz conduzida pelo papa Leão XIV em 11 de abril, no Vaticano. Ele reforçou que paz não se resume à ausência de guerra. Báez afirmou que regimes que impõem controle por meio do terror são incompatíveis com a paz.

Ele também rejeitou a ideia de paz como “equilíbrio de forças” ou “tranquilidade dos cemitérios”. Para o bispo, ditaduras usam o medo para manter privilégios.

“Mesmo que falem de paz, se reprimem, controlam, prendem e forçam pessoas ao exílio, são inimigos da paz”, afirmou o bispo. “Não devemos nos acostumar com a falsa paz e a normalidade enganosa que os ditadores querem impor pelo medo e pelas armas, unicamente para preservar seus privilégios.”

Para o religioso, os cristãos devem atuar como construtores da paz. Ele disse que esse caminho exige compromisso, mesmo diante de dificuldades.

Perseguição à Igreja Católica

Nos últimos quatro anos, a ditadura de Ortega proibiu milhares de procissões e eventos públicos de Quaresma e Semana Santa, permitindo manifestações apenas sob vigilância policial.

Dados da Igreja Católica mostram que 309 religiosos deixaram a Nicarágua. O grupo inclui bispos, padres e freiras. O regime local também confiscou ao menos 39 propriedades da Igreja Católica. Em algumas dioceses, autoridades proibiram ordenações sacerdotais.

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