O Afeganistão viveu nesta segunda-feira, 29, um dia inteiro completamente sem conexão digital com o restante do mundo. Um apagão nacional de internet e telefonia deixou mais de 40 milhões de pessoas praticamente sem comunicação desde o período da tarde. Até esta terça-feira, 30, o regime talibã, que governa o país, não havia dado nenhuma explicação oficial.
O silêncio se refletiu da mesma forma nas redes sociais, principal canal de propaganda do grupo. Zabihullah Mujahid, porta-voz dos talibãs e figura ativa no Twitter/X, não publicou mensagens desde o início da interrupção. No último dia 17, o país viveu problema semelhante com o bloqueio de sinal em várias províncias.
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Apagão digital altera a rotina
De acordo com a imprensa muçulmana, o problema começou às 17h locais (9h30, em Brasília), quando a fibra óptica apresentou instabilidades. Logo depois, redes móveis passaram assim a falhar, derrubando o acesso à internet em todo o país. Moradores da capital, Cabul, relataram dificuldade para trabalhar e até para manter principalmente as atividades básicas.
Alguns meios de comunicação, como a Amu TV, tentaram atualizar seus perfis em plataformas digitais. No entanto, várias agências internacionais informaram ter perdido contato com suas redações em território afegão.
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A organização NetBlocks, que monitora conexões de rede, informou que a conectividade caiu para 1% da capacidade normal. O episódio ocorre poucas semanas depois da proibição da internet por fibra óptica em parte do norte do país. O Talibã justifica a medida como prevenção a “atividades imorais”.

Entidades afegãs no exílio afirmam que o apagão foi proposital. A organização Afghan Women Activists Coordinating Body classificou a medida como uma tentativa de silenciar vozes civis e de afastar a população do restante do mundo. O grupo pediu à comunidade internacional que pressione pelo restabelecimento imediato da comunicação.
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