A Alemanha anunciou nesta quinta-feira, 13, a reintrodução do serviço militar, um elemento-chave de uma iniciativa mais ampla para reconstruir as Forças Armadas enfraquecidas do país. O modelo acordado prevê um sistema híbrido, baseado no serviço voluntário, com a possibilidade de convocação obrigatória caso a adesão não atinja o necessário a partir de 2026.
O novo modelo, inspirado em práticas dos países nórdicos, foi detalhado por membros da coalizão de governo liderada pelo chanceler Friedrich Merz. A medida surge em resposta ao crescimento das ameaças percebidas depois da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e da forte pressão dos Estados Unidos, aliado tradicional da Alemanha.
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“Tornaremos o serviço voluntário mais atraente; queremos entusiasmar o maior número possível de jovens para servir seu país”, declarou Jens Spahn, líder parlamentar da União Democrata Cristã, partido de Merz. “Se, no fim, o serviço voluntário não for suficiente, haverá necessidade de um componente obrigatório.”
Semanas de disputas sobre qual modelo de serviço militar seria mais adequado para aumentar o efetivo e conservar amplo apoio popular precederam o acordo. Assim como outros países europeus, a Alemanha — que tinha um Exército de quase meio milhão de soldados durante a Guerra Fria — reduziu suas Forças Armadas nos anos 1990, em tempos de paz. O país encerrou o serviço militar obrigatório em 2011.
Chanceler da Alemanha quer construir o Exército mais forte da Europa
Merz prometeu reconstruir as Forças Armadas alemãs (Bundeswehr) e transformá-las no Exército convencional mais forte da Europa. Atualmente, a Alemanha tem cerca de 182 mil militares na ativa e estabeleceu a meta de aumentar esse número para entre 255 mil e 270 mil, além de 200 mil reservistas, segundo a agência Reuters.
A guerra na Ucrânia e os alertas do governo de Donald Trump de que a Europa deve assumir sua própria defesa levaram diversos países a reconstruirem e reequiparem suas Forças Armadas depois de anos de negligência.

O ministro da Defesa, Boris Pistorius, advertiu no ano passado que a Alemanha deve estar pronta para a guerra até 2029. Mesmo antes de o governo de Merz assumir, em maio, o Parlamento já havia aprovado uma ampla reforma das regras para liberar bilhões de euros em gastos militares.
De acordo com as novas propostas, que devem entrar em vigor no início do próximo ano, será implantado um sistema de registro obrigatório e exame médico. Qualquer convocação compulsória, no entanto, dependerá de votação separada no Parlamento.
Todos os jovens de 18 anos receberão um questionário sobre o interesse em servir. Para os homens, responder será obrigatório. Os recrutas receberão remuneração mensal de € 2,6 mil. “Outros países europeus, especialmente no norte, mostram que o princípio da voluntariedade aliado à atratividade funciona. Espero o mesmo aqui”, afirmou Pistorius.
Os exames médicos começarão pelos nascidos em 2008 e serão ampliados gradualmente. Caso o número de voluntários seja insuficiente, o Parlamento poderá aprovar uma conscrição conforme a necessidade, embora os detalhes de sua aplicação ainda não tenham sido definidos.
Segundo as normas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a Alemanha precisa elevar seu contingente militar dos atuais 182 mil para até 260 mil integrantes até 2035. Não há definição clara sobre a quantidade anual de recrutas, já que o cálculo inclui possíveis baixas e aposentadorias dos soldados.
O sistema de questionário segue o exemplo sueco, em que todos os jovens de 18 anos preenchem o formulário, mas apenas 4% são chamados para avaliações físicas e psicológicas. Destes, apenas um terço é convocado para servir por períodos de nove ou 15 meses, de acordo com a aptidão. A Suécia, atualmente membro da Otan, retomou o recrutamento militar em 2017 diante do risco de conflito com a Rússia no Mar Báltico.





































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