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Acordo com FMI faz Argentina liberar limite para compra de dólares por pessoas físicas

O governo de Javier Milei adotou outras medidas que aproximam os argentinos da moeda norte-americana, inclusive a permissão para envio de lucros ao exterior

O presidente da Argentina, Javier Milei, no Congresso Nacional de Buenos Aires. Foto | REUTERS/Matias Baglietto/File Photo
O presidente da Argentina, Javier Milei, no Congresso Nacional de Buenos Aires. Foto | REUTERS/Matias Baglietto/File Photo

A Argentina suspendeu a limitação para a compra de dólares por pessoas físicas depois de firmar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O presidente Javier Milei anunciou o acordo em rede nacional e comemorou o que classifica como o melhor momento do país para enfrentar instabilidades externas.

“Nunca a Argentina esteve tão bem equipada em seus fundamentos econômicos para resistir a tensões da economia global”, disse Milei no pronunciamento.

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O respaldo vem de um empréstimo de US$ 20 bilhões do FMI, somado à promessa de recursos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O apoio chega em um momento crítico, às vésperas de vencimentos de empréstimos anteriores e da necessidade de cobrir o saldo negativo de dólares no banco central argentino.

Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o reforço nas reservas internacionais é essencial para proteger o país de choques externos. “Cria-se um colchão para melhorar as estruturas institucionais e o mercado de câmbio, o que, no futuro, pode trazer benefício no longo prazo”, disse à Rede Globo.

O empréstimo veio seguido por medidas que mudam a relação dos argentinos com o dólar. Entre as mudanças, o limite de compra de US$ 200 mensais por cidadãos comuns será extinto, e as empresas poderão enviar lucros ao exterior. 

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O presidente da Argentina, Javier Milei, e, à esquerda, seu ministro da Economia, Luís Caputo | Foto: Reprodução/Twitter/X

Para o ministro da Economia, Luis Caputo, essa medida é crucial para atrair investimentos. A partir desta segunda-feira, 14, acaba o cepo cambial, o controle de divisas “que tanto dano causou e que tanto limita o normal funcionamento da economia”. O valor do dólar, que antes era fixado pelo governo, passará a oscilar entre 1 mil e 1,4 mil pesos. 

“Se o câmbio chega ao teto, então o Banco Central tem que vender reservas para abastecer essa demanda”, explica Fabio Giambiagi, do FGV Ibre, à Rede Globo. “Se o câmbio alcançar o piso, então, o Banco Central entra comprando, sendo que, adicionalmente nos aproximarmos dos meses, esse piso irá diminuir 1% ao mês e o teto irá aumentar 1% ao mês.”

Argentina fez 23 acordos com o FMI em 66 anos

Esse é o 23º acordo da Argentina com o FMI desde 1959. O mais recente, de US$ 57 bilhões, foi firmado em 2018, no governo de Mauricio Macri, mas fracassou no objetivo de evitar o colapso do peso e o calote da dívida.

As atuais medidas de austeridade adotadas por Milei seguem as exigências do FMI. “A diferença que o governo alega existir entre esta situação e a de outros acordos é que esta efetivamente tem uma situação de equilíbrio fiscal, coisa que antes não tinha”, frisa Giambiagi. 

“A dúvida que continuará existindo — só saberemos a resposta nos próximos meses ou, eventualmente, anos — é, principalmente, o fato de ter equilíbrio fiscal em condição não apenas necessária, mas também suficiente para que haja equilíbrio econômico”, conclui. o economista.

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