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A perseguição aos cristãos iranianos

Regime dos aiatolás escancara seu temor diante de qualquer forma de dissidência

'Para o regime, o cristianismo não é apenas uma religião concorrente, mas um corpo estranho, uma infiltração ocidental que ameaça a identidade islâmica oficialmente proclamada', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
'Para o regime, o cristianismo não é apenas uma religião concorrente, mas um corpo estranho, uma infiltração ocidental que ameaça a identidade islâmica oficialmente proclamada', escreve Flávio Gordon | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

De acordo com Atos 2:9, havia iranianos (partos, medos e elamitas) entre os primeiros seguidores de Jesus Cristo. A informação é confirmada pela arqueologia, que descobriu tumbas de 60 cristãos datadas do século 3 na ilha de Kharg, perto da costa do Irã. Embora fosse uma das raras comunidades cristãs fora do território do Império Romano, a presença de cristãos na antiga Pérsia não foi totalmente marginal. Sua relevância já se manifestava no século 4, quando João da Pérsia, bispo responsável pelas comunidades cristãs persas e da chamada “Grande Índia”, participou do Concílio de Niceia, em 325.

Mais de 20 séculos depois, e após uma série de eventos religiosos dramáticos – dentre eles o cisma com Roma (em 424 d.C.), a invasão árabe (642 d.C.) e a revolução iraniana (1979) –, os cristãos são hoje brutalmente perseguidos no Irã. A liberdade religiosa concedida aos cristãos armênios e assírios — as igrejas cristãs legalmente admitidas — assemelha-se à tolerância do carrasco com o condenado durante a afiação da lâmina: existe, mas apenas dentro dos limites estritos da vigilância permanente.

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Enquanto as igrejas cristãs orientais formalmente reconhecidas sobrevivem como relíquias controladas, cercadas por olhos atentos e regras sufocantes, os cristãos conversos do islamismo vivem numa condição ainda mais precária: não apenas privados de direitos, mas obrigados à clandestinidade espiritual. Crer, para eles, é esconder-se, uma vez que, com a ascensão do regime dos aiatolás, a conversão do islamismo para o cristianismo virou crime punível com a morte.

Cristãos iranianos na mira dos aiatolás

Trata-se de política de Estado. O Ministério da Inteligência iraniano, em conluio com a Guarda Revolucionária Islâmica, opera como polícia da consciência, invadindo casas, dissolvendo reuniões privadas, prendendo fiéis e confiscando bens com a naturalidade burocrática de quem acredita cumprir um dever moral e civilizatório. Os interrogatórios prolongados, a violência física e psicológica e o medo cuidadosamente cultivado fazem parte de um método cujo objetivo é ensinar que o cristianismo não será tolerado no país.

Para o regime, o cristianismo não é apenas uma religião concorrente, mas um corpo estranho, uma infiltração ocidental que ameaça a identidade islâmica oficialmente proclamada. Como mostra a reportagem de Eugenio Goussinsky, a paranoia se agravou depois dos bombardeios israelenses de junho passado. De modo que a repressão às minorias religiosas – cristãos, judeus, bahá’ís etc. – revela a fragilidade de um regime moribundo.

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