publicidade
Imprensa

Estadão vê desfile sobre Lula como campanha eleitoral antecipada

Em editorial, jornal afirma que Acadêmicos de Niterói teria promovido o petista e criado 'desequilíbrio eleitoral'

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante carnaval em Salvador
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante carnaval em Salvador | Foto: Ricardo Stuckert/PR

O jornal O Estado de S. Paulo afirmou, em editorial publicado nesta quinta-feira, 19, que o desfile da escola Acadêmicos de Niterói com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva configurou promoção política e antecipação de campanha eleitoral.

No texto, intitulado “O samba do petista doido”, o diário sustenta que a apresentação no Sambódromo ultrapassou o caráter cultural típico das homenagens carnavalescas.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias da Imprensa em Oeste

Segundo o editorial, “não restou dúvida nenhuma de que se estava diante de um ato característico de campanha”. A avaliação também leva em conta a presença de Lula em um dos camarotes e a sua descida à avenida para cumprimentar integrantes da agremiação.

O jornal também menciona a preparação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, para participar do desfile. Conforme o texto, isso “selaria simbolicamente a relação direta entre a apresentação da escola e a campanha do marido à reeleição”.

O enredo da escola de samba e a participação de Lula

Carnaval 2026
A homenagem da escola de samba Acadêmicos de Niterói a Lula – Rio de Janeiro (RJ),15/2/2026 | Foto: Reprodução/Instagram/@academicosdeniteroi

A Acadêmicos de Niterói apresentou um enredo que exaltou a trajetória política do petista e encenou episódios recentes da política brasileira.

O editorial destacou alegorias com adversários políticos, como um carro que representou o ex-presidente Jair Bolsonaro “caracterizado como um palhaço preso” e uma encenação do impeachment de Dilma Rousseff. Neste, um personagem alusivo a Michel Temer “roubava” a faixa presidencial. Para o jornal, “depreciar adversários políticos é coisa típica de campanha eleitoral”.

Leia mais: “Acadêmicos do Caô”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 309 da Revista Oeste

O texto também criticou alas que, segundo descreveu, ironizaram a família tradicional e religiosos. Uma delas trazia integrantes fantasiados de “latas de conserva” que carregavam Bíblias, o que teria tido “clara intenção de debochar dos evangélicos”.

Para o Estadão, a transmissão ao vivo em rede nacional ampliou o alcance da mensagem política e criou vantagem indevida. “É isso o que caracteriza o desequilíbrio eleitoral que demanda atuação da Justiça”, opinou o jornal.

Mais jornais criticaram o caso

Na segunda-feira 17, os jornais Folha de S.Paulo e Gazeta do Povo publicaram críticas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Carnaval do Rio. Para os dois periódicos, o evento ultrapassou os limites da manifestação artística e assumiu contornos de promoção eleitoral.

O Carnaval, disse a Folha, tradicionalmente inverte papéis e satiriza o poder. A Acadêmicos de Niterói, entretanto, “resolveu subverter a lógica carnavalesca e exaltar não apenas um político vivo, mas que atualmente ocupa o cargo de presidente da República e pretende disputar o pleito neste ano”.

O jornal observou que Lula, que deveria ter se afastado do evento, assistiu ao desfile de camarote e, ao final, desceu ao Sambódromo da Sapucaí para cumprimentar integrantes da agremiação. “Por óbvio, a situação levantou uma discussão sobre ilícitos eleitorais, e cabe à Justiça avaliá-los.”

Já a Gazeta do Povo classificou o desfile como “uma peça de propaganda destinada a exaltar um pré-candidato à Presidência da República nas eleições deste ano”. O jornal afirmou que a apresentação teve como essência a “glorificação da biografia de Lula e o aquecimento para a campanha eleitoral”.

O editorial destacou que integrantes da escola de samba “fizeram o L” diante das câmeras e que Lula desceu à Marquês de Sapucaí acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes. A Gazeta comparou o episódio ao caso do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi declarado inelegível depois de uma reunião com embaixadores — que nem sequer votam.

Leia mais sobre:

2 comentários
  1. Marino Baumgartner
    Marino Baumgartner

    Ta na hora do povo brasileiro acabar com esses roubos absurdos

  2. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    como assim estadão, demanda ação da justiça? existe justiça hoje no Brasil?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade