O jornal O Estado de S. Paulo afirmou, em editorial publicado nesta sexta-feira, 10, que decisões recentes no Supremo Tribunal Federal (STF) reforçam a percepção de uma tentativa de “blindagem” por parte de ministros da Corte. O texto cita, em especial, a decisão de Alexandre de Moraes de retomar uma ação que limita delações premiadas.
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Segundo o jornal, a medida “não tem como deixar de ser interpretada como mais um ato de blindagem do tribunal contra o devido escrutínio público”. A crítica ocorre no contexto das negociações de delação do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Decisões de Moraes sob questionamento

O editorial questiona o momento da retomada do processo. Para o Estadão, “a percepção de casuísmo é incontornável”, já que a ação foi reativada justamente quando autoridades podem ser citadas em investigações. O texto afirma que não se trata de discutir o instrumento da delação premiada, mas, sim, a oportunidade da decisão.
O jornal também menciona o ministro Dias Toffoli, com atuação considerada atípica em investigações relacionadas ao caso. Segundo o editorial, o magistrado teria adotado um “protagonismo incompatível com sua posição de juiz”, com medidas como seleção de peritos e condução de diligências.
Já sobre o decano Gilmar Mendes, o texto cita decisões que, na avaliação do veículo, limitaram instrumentos de controle, como CPIs. A publicação menciona ainda a alteração de regras ligadas à Lei do Impeachment.
Risco à imagem institucional
Para o Estadão, o conjunto dessas ações sugere que há ministros “mais interessados em preservar a si mesmos do que em salvar a imagem do Supremo”. O editorial afirma que esse comportamento pode afetar a confiança pública na Corte.
O texto ressalta que “a autoridade do Supremo deriva da confiança que a Corte inspira na sociedade” e ressalta que essa confiança pode se enfraquecer diante de suspeitas de favorecimento interno. O jornal conclui que “não há instituição imune ao desgaste provocado por suspeitas de acobertamentos mútuos”.
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Por fim, o editorial defende a tese de que ministros devem prestar contas à sociedade e reforça que, “quanto maior o poder, maior deve ser a transparência”.
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