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COP30: The Guardian mostra 'deserotização' de motéis

Estabelecimentos na capital paraense oferecem retirada de decoração erótica em quartos para diplomatas, ativistas e jornalistas

A COP é a sigla para a Conferência das Partes, uma reunião anual criada pela ONU | Foto: Divulgação/Oeste
A COP é a sigla para a Conferência das Partes, uma reunião anual criada pela ONU | Foto: Divulgação/Oeste

A poucos meses da 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém de 10 a 21 de novembro, os motéis da capital paraense estão passando por um processo de “deserotização” dos quartos. Com a rede hoteleira da cidade sobrecarregada e diárias a valores exorbitantes, os estabelecimentos, conhecidos por encontros casuais e decoração erótica, decidiram se adaptar para hospedar negociadores, diplomatas, ativistas e jornalistas do mundo todo.

No motel Love Lomas, espelhos no teto, barras de pole dance e cadeiras eróticas estão sendo retirados ou cobertos. “Existe um certo estigma [em relação a motéis], porque cobram por hora, mas a única diferença é que são usados, em sua maioria, para encontros românticos”, disse o proprietário Ricardo Teixeira ao jornal britânico The Guardian. Segundo ele, os motéis já reservaram quase 600 de seus cerca de 2 mil quartos para a COP30.

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Durante a pandemia, o Love Lomas, que tem 48 suítes e fica a poucos metros do local principal da COP30, foi usado por profissionais de saúde que queriam evitar o contágio de familiares. Agora, o foco é receber hóspedes da conferência climática, com cardápios bilíngues e até opções de caipirinha no serviço de quarto. “São todos bem-vindos aqui”, comemorou Teixeira, que é representante regional da Associação Brasileira de Motéis.

Os hóspedes do motel recebem antes do check-in um e-mail da recepção com duas perguntas: uma convencional, a outra inesperada. “Poderia, por gentileza, nos informar a que horas espera chegar ao nosso estabelecimento?”, diz a mensagem. “E mais uma coisa: nossos quartos possuem cadeiras eróticas. Gostaria que elas fossem retiradas?”

Para Cristiano Ribeiro, dono do motel Só Prazer, que alugou parte de seus quartos para delegados a US$ 200 por noite, a COP30 representa uma oportunidade única para Belém. “Avançamos 30 anos em um”, disse ao The Guardian, ao citar os investimentos em infraestrutura que transformaram a capital paraense em um canteiro de obras. Ele alugou oito de seus 33 quartos para participantes da conferência, por meio de um site do governo.

Ribeiro contratou um grafiteiro para decorar a fachada do motel com murais que retratam a fauna amazônica e os povos indígenas, na esperança de agradar visitantes estrangeiros. Até a chegada deles, os canais pornográficos da TV seriam desativados; a sex shop, retirada; e os catálogos com itens eróticos substituídos por cardápios em inglês com opções gastronômicas.

Governo Lula escolheu Belém como sede da COP30

A adaptação dos motéis ocorre em meio a críticas à falta de estrutura hoteleira de Belém, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva há dois anos para sediar a cúpula do clima. A falta de acomodações somou-se a uma disparada nos preços. Um levantamento obtido pelo The Guardian mostrou que um hotel econômico elevou sua diária de cerca de £ 10 em 2023 para quase £ 800 durante o evento.

A Áustria já anunciou que não enviará delegação à primeira COP realizada na Amazônia, devido aos “custos particularmente altos”. Alguns diplomatas chegaram a sugerir a realocação parcial do encontro, embora autoridades brasileiras insistam não haver “plano B”.

Entidades como o Observatório do Clima afirmam que a conferência corre risco de se tornar “a mais excludente da história”, com representantes da sociedade civil, de países em desenvolvimento e da imprensa afastados pelos preços. “Uma COP esvaziada seria, além de uma humilhação histórica para o Brasil, uma oportunidade preciosa perdida, num momento em que temos apenas cinco anos para manter vivo o limite de temperatura do Acordo de Paris”, diz o documento.

Até agora, apenas 30% dos quase 200 países membros da Convenção-Quadro da Organização das Nações Unidas sobre Mudança do Clima teriam conseguido confirmar hospedagem em Belém. Márcio Astrini, diretor do Observatório do Clima, expressou frustração pelo fato de a falta de acomodações ter se tornado o principal assunto de debate. “Combustíveis fósseis são a discussão central que deveríamos ter agora na agenda.”

Ao responder, mais cedo neste ano, a queixas sobre hospedagem, Lula foi irônico. “Se não tiver hotel cinco-estrelas, durma em um quatro-estrelas”, disse o presidente. “Se não tiver quatro-estrelas, durma em um três-estrelas. Se não tiver três-estrelas, durma olhando para as estrelas… e será maravilhoso.” Além dos motéis, o governo federal planeja disponibilizar dois navios de cruzeiro como hotéis flutuantes para 6 mil visitantes.

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2 comentários
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    FLOP 30 – a republiqueta bananeira bolivariana passará vexame internacional.

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