Líderes de setores importantes da BBC, o diretor-geral Tim Davie e a chefe de reportagem Deborah Turness comunicaram suas renúncias, neste domingo, 9, depois de críticas sobre a condução editorial de um documentário acerca do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A polêmica envolve acusações de manipulação de imagens e edição tendenciosa na cobertura da guerra no Oriente Médio e, principalmente, na apresentação dos acontecimentos dos atos no Capitólio, nos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021.
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O centro da controvérsia é o programa “Trump: Uma 2ª Chance?”, transmitido em outubro de 2024, pouco antes das eleições presidenciais norte-americanas. Segundo as denúncias, o documentário suprimiu trechos do discurso de Trump realizado em 6 de janeiro de 2021, especificamente o momento em que ele solicitou protestos “pacíficos e patrióticos”.
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Também há indícios de que falas de Trump, feitas em contextos diferentes, teriam sido editadas em sequência, de modo a criar uma narrativa artificial.
O material divulgado pela BBC apresentou o discurso de Trump dessa forma: “Vamos descer até o Capitólio. Eu estarei com vocês. E vamos lutar. Vamos lutar com todas as forças”. Já o registro integral do discurso de Trump traz: “Vamos descer até o Capitólio. E vamos apoiar nossos bravos senadores e congressistas”. Confira o vídeo abaixo.
Renúncia e repercussão interna na BBC
🚨 BREAKING: The BBC was just exposed for DOCTORING President Trump’s Jan 6 speech to make it seem he ENDORSED rioting, per whistleblower
— Eric Daugherty (@EricLDaugh) November 3, 2025
“We’re gonna walk to the Capitol”
DOCTORED: “And FIGHT LIKE HELL!”
ORIGINAL: “And cheer on congressmen and women!” pic.twitter.com/z88mmVhikG…
Tim Davie informou sua saída em mensagem direcionada à equipe da emissora. “Gostaria de informar que decidi deixar a BBC depois de 20 anos”, escreveu, conforme publicação do jornal The Guardian. “Esta é uma decisão inteiramente minha, e continuo muito grato ao presidente e ao Conselho de Administração pelo apoio inabalável e unânime durante todo o meu mandato, inclusive nos últimos dias.”
As acusações ganharam força depois de Michael Prescott, ex-conselheiro independente do comitê de padrões editoriais da BBC, enviar um relatório com alegações de que a edição do discurso de Trump sugeriu, de maneira enganosa, incitação ao ataque ao Congresso dos Estados Unidos. O caso foi divulgado pelo Daily Telegraph na segunda-feira 3.
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Prescott sustentou que declarações distantes quase uma hora foram agrupadas. Além disso, a BBC agiu de forma a excluir da edição exibida ao público um trecho em que Trump pedia manifestações pacíficas.
Críticas à edição sobre Trump e à cobertura editorial

O relatório ainda sugere que a emissora utilizou imagens de manifestantes captadas antes do discurso de forma descontextualizada. “Foi completamente enganoso editar o clipe da maneira como o ‘Panorama’ o transmitiu”, afirmou Prescott, no documento. “O fato de Trump não ter explicitamente exortado os apoiadores a descerem e lutarem no Capitólio foi uma das razões pelas quais não houve acusações federais por incitação a tumulto.”
Em nota ao Guardian, a BBC respondeu que, “embora não comentemos documentos vazados, quando a ‘BBC’ recebe feedback, leva-o a sério e o considera cuidadosamente”. “Michael Prescott é um ex-consultor de um comitê do conselho onde diferentes pontos de vista e opiniões sobre nossa cobertura são rotineiramente discutidos e debatidos”, concluiu a emissora.
Vão sentir o efeito do BIG STICK !
Ótimo!