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Ata do Copom confirma preocupação com inflação e juros altos, dizem jornais

Gestão da política monetária continua amparada na técnica e em justificativas razoáveis

Banco Central divulgou decisão sobre juros e inflação | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
A BMP informou que o ataque comprometeu exclusivamente as chamadas ‘contas reserva’ | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O ciclo de alta de juros para conter a inflação não se encerrou. Foi essa a mensagem central da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). O tema é destaque no editorial do jornal O Estado de S. Paulo desta quarta-feira, 26.

“Decerto para dirimir quaisquer dúvidas que ainda pairassem sobre a decisão, que elevou em um ponto porcentual a Selic, para 14,25% ao ano, o comitê listou os três motivos que justificam a manutenção do rigor da política monetária: a dinâmica da inflação, que considera adversa; a defasagem dos efeitos dos juros altos; e a elevada incerteza do cenário econômico, tanto externo quanto doméstico”, diz o veículo.

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Para o Estadão, a direção do BC invalida avaliações que apontavam para o fim próximo do ciclo de aumento de juros e mostra ter visão distinta da do governo sobre o comportamento da inflação.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mesmo contemporizando sobre o último aumento da Selic – usando a mesma imagem adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que é impossível “dar um cavalo de pau” nos juros –, tem insistido na previsão de que a inflação vai surpreender e cair, dando margem à queda dos juros ainda em 2025.

Não é essa a perspectiva do BC, que vê na indefinição sobre a inflação um “fator de desconforto comum a todos os membros do Copom”, mostrando que a unanimidade do colegiado não está restrita à calibragem da alta dos juros, mas se estende aos fatores que levam à decisão.

Vale ressaltar que no cenário interno foi dado destaque ao esmorecimento do esforço para reformas estruturais e em prol da disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública.

“Ou seja, está mais do que comprovado que Planalto e Banco Central seguem caminhos distintos”, avalia o Estadão.

“Lula da Silva vê no crédito a salvação da economia; o BC vê com preocupação o mercado de crédito ‘pujante dos últimos trimestres’; Haddad vê possibilidade de recuo do câmbio, com consequente melhora dos preços internos; o BC avalia que parte da deterioração com as incertezas nos Estados Unidos começa a se materializar e que preços industrializados seguem pressionados pelo câmbio, preços dos serviços continuam acima do nível para o cumprimento da meta de inflação e, no setor de alimentos, os preços elevados tendem a se propagar para outros preços a médio prazo”, acrescenta.

Leia também: “Copom volta a subir juros e projeta economia mais fraca para conter inflação”

Todos os sinais são de que a tal “necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, como preconiza o Copom, é um objetivo bastante difícil. O governo comemora a enorme procura pela nova modalidade de empréstimo consignado privado que criou. Já o BC observa como positiva a inflexão do crédito bancário, diante do menor apetite ao risco pelos bancos e o elevado comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas.

Para a autoridade monetária, o arrefecimento da demanda é elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta.

“O BC ainda vê como incipiente a moderação da atividade econômica”, diz o jornal. “Já o ministro Haddad, com certo exagero, diz que não precisa de recessão para baixar a inflação. É uma Babel econômica.”

Gabriel Galípolo é o novo presidente do Banco Central (BC) | Foto: Reprodução/Twitter/X
Gabriel Galípolo é o novo presidente do Banco Central (BC) | Foto: Reprodução/Twitter/X

Para O Globo, decisão sobre juros foi “necessária”

Para o jornal O Globo, embora indesejável, a alta dos juros e sua manutenção em patamar elevado se fazem necessárias.

As expectativas de inflação estão longe da meta perseguida pelo BC (3%) e da faixa máxima superior (4,5%). As instituições financeiras preveem alta de preços de 5,65% ao longo de 2025. A estimativa para 2026 está em 4,5%, mas tem subido.

“Com projeções assim, a atividade econômica ainda mostrando vigor e pressionando os preços e o mercado de trabalho aquecido, não há como escapar da política contracionista”, diz o veículo.

Leia também: “Trabalhadores relatam juros abusivos no ‘empréstimo do Lula'”

Nas palavras dos próprios diretores do BC, a inflação acumulada em 12 meses deverá permanecer acima do teto por seis meses consecutivos, inviabilizando o cumprimento da meta de 2025. Isso deverá acontecer porque a inflação de serviços segue alta, e o câmbio tem pressionado os preços de produtos industrializados no atacado.

Para completar, os preços de alimentos continuam elevados e “tendem a se propagar para outros preços no médio prazo”, segundo a ata. Todas essas questões ficam claras nos dados coletados e analisados pelo BC e justificam, do ponto de vista técnico, suas decisões até agora.

“Há ainda o imponderável”, avalia O Globo. “Com Donald Trump na Casa Branca, as incertezas ganharam outra proporção. É difícil prever o impacto da guerra comercial deflagrada pelo governo americano, mas é esperada alta nos preços cotados em dólar.”

Leia também: “Brasil é o 4º maior país em juros reais do mundo, com Selic a 14,25% ao ano”

“Muitas dúvidas pairam sobre as consequências da política de combate à imigração ilegal no mercado de trabalho e na inflação dos salários”, acrescenta. “O próprio Fed, banco central americano, tem falado em incertezas maiores. O tamanho do corte nos gastos do governo e de eventuais estímulos fiscais poderá ter efeitos para além das fronteiras dos Estados Unidos.”

Além disso, o jornal destaca que a resposta de outras grandes economias, como a chinesa ou a europeia, também tem o poder de transformar o panorama financeiro global.

“Em situação tão desafiadora, faz bem o BC em conduzir a política monetária sem sobressaltos, sempre amparado em dados tecnicamente sólidos e justificativas razoáveis”, conclui o texto.

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