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História

23 de outubro na História: morre Dr. Zerbini, pioneiro em transplante cardíaco no Brasil

Um dos idealizadores do Instituto do Coração, médico inaugurou procedimento em 1968, cinco meses depois de a primeira tentativa mundial falhar na África do Sul

Zerbini (à esquerda) ao lado de Christiaan Barnard, médico que criou a técnica de transplante de coração | Foto: Reprodução/Redes sociais
Zerbini (à esquerda) ao lado de Christiaan Barnard, médico que criou a técnica de transplante de coração | Foto: Reprodução/Redes sociais

Em 23 de outubro de 1993, a medicina brasileira dava adeus a um de seus nomes mais ilustres: morria, em São Paulo, Euryclides de Jesus Zerbini, o primeiro brasileiro a realizar um transplante cardíaco.

O médico nasceu em 10 de maio de 1912, em Guaratinguetá (SP), para se tornar um dos brasileiros mais importantes da história na função de cardiologista e cirurgião. 

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Zerbini: sonhador e realizador

Zerbini foi o quinto especialista do mundo e o primeiro da América Latina a realizar um transplante de coração. Sua missão era ajudar as pessoas. Assim, cumpriu o sonho de criar o Instituto do Coração (Incor)

A concretização do desejo de erguer um centro de excelência em cardiologia e pneumologia se deu, primeiramente, em 1977, quando da inauguração do InCor.

Instalações do Instituto do Coração, em São Paulo: sonho de Zerbini tornou-se referência de tratamento para cardíacos na América Latina | Foto: Incor/Divulgação
Instalações do Instituto do Coração, em São Paulo: sonho de Zerbini tornou-se referência de tratamento para cardíacos na América Latina | Foto: Incor/Divulgação

Além disso, Zerbini dedicou-se a criar a Fundação Zerbini, um modelo internacional de instituição de apoio de direito privado a hospital público universitário.

Filho de Eugênio Hugo Zerbini e de Ernestina Teani, Euryclides era o caçula de sete irmãos em uma família de origem italiana.

Zerbini ao lado de dois dos seis irmãos durante a infância no interior de São Paulo | Foto: Arquivo pessoal/Museu da Pessoa
Zerbini ao lado de dois dos seis irmãos durante a infância no interior de São Paulo | Foto: Arquivo pessoal/Museu da Pessoa

Nasceu prematuro, com apenas sete meses de gestação. De 1927 a 1928, estudou no Colégio Diocesano Santa Maria, em Campinas. 

Depois de se formar, em janeiro de 1949, casou-se com Dirce Costa, médica com formação pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Com ela, teve os filhos Roberto, Eduardo e Ricardo.

As pesquisas do Dr. Zerbini não apenas ajudaram nos transplantes como aperfeiçoaram diversas técnicas nos procedimentos cirúrgicos | Foto: Reprodução/Rede Sociais
As pesquisas do Dr. Zerbini não apenas ajudaram nos transplantes como aperfeiçoaram diversas técnicas nos procedimentos cirúrgicos | Foto: Reprodução/Rede Sociais

Professor e pioneiro da cirurgia cardíaca no Brasil e do transplante de coração no mundo, Zerbini desenvolveu novas tecnologias e novos padrões de conduta.

A realidade brasileira, na década de 1960, apresentava uma série de deficiências em termos de recursos. Apesar disso, as pesquisas do médico viabilizaram o alcance às primeiras técnicas de operação do coração no Brasil.

Transplantes: uma história de desafios

O primeiro transplante de coração do mundo foi realizado na Cidade do Cabo, na África do Sul, em 3 de dezembro de 1967 pelo cirurgião sul-africano Christiaan Barnard. 

O paciente teve uma sobrevida de apenas 18 dias. Apesar disso e do contraste com as expectativas, o procedimento despertou interesse em centros de cirurgia de todo o mundo, principalmente na América. 

O cirurgião sul-africano Christiaan Barnard: primeiro médico da história a realizar um transplante: começo frustrante abriu caminho para soluções que salvam hoje a vida de inúmeras pessoas | Foto: Reprodução/Redes sociais
O cirurgião sul-africano Christiaan Barnard, primeiro médico da história a realizar um transplante: começo frustrante abriu caminho para soluções que salvam hoje a vida de inúmeras pessoas | Foto: Reprodução/Redes sociais

No mesmo mês, desta vez nos Estados Unidos, Adrian Kantrowitz realizou o transplante em uma criança. Do mesmo modo, não houve sucesso.

O Brasil quase foi pioneiro no transplante cardíaco. Em 1967, o Conselho do Hospital das Clínicas proibiu o procedimento. 

A partir de 1968, vários hospitais pelo mundo começaram a realizar o procedimento e a equipe chefiada por Euryclides Zerbini realizou o primeiro transplante da América Latina e do Brasil.

Em 26 de maio de 1968, cinco meses depois do transplante na África do Sul, João Ferreira da Cunha, o João Boiadeiro, de 23 anos, com insuficiência cardíaca, recebeu o coração de Luís Fernando de Barros, vítima de atropelamento.

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Pelas mãos de Zerbini, começava ali uma nova história e um novo olhar da medicina mundial para a qualidade e o talento dos profissionais brasileiros. 

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