publicidade
Economia

Vencedores do Nobel alertam para impacto da IA no mercado de trabalho

Manifesto assinado por quase 200 especialistas também destaca potencial da tecnologia de melhorar produtividade e condições de vida

A inteligência artificial não roubou empregos, mas os ampliou | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Autores do manifestam afirmam que a IA "pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos 10 anos" | Foto: Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

Um manifesto divulgado em 13 de julho, assinado por quase 200 economistas, incluindo 15 vencedores do Prêmio Nobel, alerta que a inteligência artificial (IA) pode remodelar a economia rapidamente, exigindo respostas urgentes de governos e formuladores de políticas. Os autores afirmam que a IA pode causar deslocamento de empregos em larga escala, mas também oferecer oportunidades de melhoria no padrão de vida.

A inteligência artificial (IA) pode remodelar a economia em um ritmo sem precedentes e exige uma resposta rápida de governos e formuladores de políticas públicas. O alerta consta de um manifesto divulgado nesta segunda-feira, 13, assinado por quase 200 economistas, pesquisadores e líderes da indústria de tecnologia.

Entre os autores estão 15 vencedores do Prêmio Nobel de Economia, que defendem ações imediatas para compreender os efeitos da tecnologia sobre o mercado de trabalho e a sociedade.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

No documento, intitulado “Precisamos Agir Agora”, os signatários afirmam que a IA “pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos” e ressaltam que a tecnologia “pode trazer riscos, incluindo deslocamento de empregos em larga escala, bem como oportunidades, como grandes ganhos no padrão de vida”.

OpenIA
Usuário acessa o aplicativo do ChatGPT pelo celular; criadora da ferramenta de inteligência artificial, a OpenAI deu o primeiro passo para abrir capital na bolsa | Foto: Reprodução/Freepik

O grupo reúne nomes de destaque da academia e do setor privado, como os economistas-chefes da OpenAI e da Anthropic, o cofundador da Anthropic Jack Clark, o ex-CEO do Google Eric Schmidt e o investidor Vinod Khosla. Também assinam o texto Daron Acemoglu e Simon Johnson, professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e vencedores do Nobel de Economia de 2024.

O manifesto sustenta que os impactos da inteligência artificial podem superar os da Revolução Industrial, embora ocorram em um intervalo muito menor. Para os autores, essa possibilidade exige estudos mais rápidos e políticas públicas capazes de acompanhar a velocidade da transformação tecnológica.

Durante anos, executivos do setor de tecnologia advertiram que sistemas de IA poderiam assumir parte significativa das atividades desempenhadas por humanos, provocando desemprego em larga escala. Grande parte dos economistas, contudo, tratava essas projeções com ceticismo, sob o argumento de que mudanças tecnológicas costumam ocorrer de maneira gradual.

judeus MIT
Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) | Imagem: MIT/Reprodução

Segundo os autores do manifesto, essa percepção começa a mudar. Eles afirmam que a disseminação da IA pela economia tem ocorrido de forma mais ampla e veloz do que tecnologias anteriores, levando parte da comunidade acadêmica a rever avaliações anteriores.

“Houve uma mudança notável na profissão”, afirmou Erik Brynjolfsson, economista da Universidade Stanford e um dos organizadores da iniciativa. Segundo ele, o objetivo é fazer com que economistas e autoridades passem a tratar com maior seriedade o potencial disruptivo da inteligência artificial.

Brynjolfsson afirmou ainda que existe uma distância entre a velocidade da evolução tecnológica e a preparação das instituições públicas. “Ainda vejo uma grande lacuna aí, uma grande incompatibilidade, e estou meio preocupado de que não estaremos prontos para o tsunami que está vindo”, disse.

Claude é a ferramenta de inteligência artificial da Anthropic | Foto: Reprodução

IA pode melhorar produtividade e padrão de vida no longo prazo

Apesar das preocupações, muitos economistas envolvidos na iniciativa acreditam que a inteligência artificial poderá elevar a produtividade e melhorar o padrão de vida no longo prazo. Eles citam exemplos históricos, como a máquina a vapor e o computador pessoal, que eliminaram determinadas funções, mas criaram novas oportunidades de trabalho ao longo do tempo.

Mesmo nesse cenário, os pesquisadores avaliam que a transição poderá provocar impactos severos no curto prazo, especialmente entre trabalhadores de funções administrativas. Eles ressaltam que programas como o seguro-desemprego e outras redes de proteção social podem não estar preparados para absorver um eventual aumento expressivo do desemprego.

Acemoglu afirmou que continua cético em relação às previsões mais otimistas do Vale do Silício sobre a velocidade da revolução provocada pela IA. Ainda assim, reconheceu que os avanços recentes aumentaram sua preocupação com possíveis perdas de empregos.

Uma mão de um robô, segurando as iniciais AI, em referência à inteligência artificial (IA)
A inteligência artificial é considerada a maior revolução industrial desta geração | Foto: Rawpixel/Freepik

“Se você olhar o que os robôs fizeram no setor manufatureiro, se a IA fizer algo equivalente em um período de tempo mais comprimido, isso seria realmente disruptivo, realmente custoso para a subsistência das pessoas”, afirmou o economista. Ele defende a ideia de que os laboratórios de inteligência artificial priorizem o desenvolvimento de ferramentas voltadas para ampliar a capacidade dos trabalhadores, em vez de substituí-los.

O manifesto não apresenta propostas concretas de políticas públicas. Em vez disso, pede que economistas, governos e empresas “ajam agora para entender a economia da IA transformadora” e implementem medidas que “direcionem a IA em um caminho que complemente os humanos e beneficie a sociedade”.

Entre as prioridades apontadas pelos autores está a criação de indicadores mais precisos para medir a adoção e os efeitos econômicos da inteligência artificial. Segundo Brynjolfsson, a escassez de dados confiáveis tem dificultado a identificação dos setores mais afetados e a avaliação do impacto real da tecnologia sobre o emprego.

+ “Meta demite 8 mil funcionários em virada rumo à IA

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade