Integrantes da força-tarefa que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na manhã desta terça-feira, 18, desconfiam que o anúncio de compra do Banco Master pela Fictor Holding Financeira era uma simulação. A negociação tornou-se pública na segunda-feira 17. O objetivo seria principalmente desviar a atenção das autoridades e facilitar a fuga de Vorcaro do Brasil.
Relatos de pessoas próximas ao processo sugerem que a Justiça expediu a ordem de prisão às 15h do mesmo dia em que a Fictor comunicou a intenção de adquirir o Master em parceria com investidores dos Emirados Árabes Unidos.
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Vorcaro: “À disposição das autoridades”, diz defesa
A holding afirmou, em nota, que só teve conhecimento da operação da Polícia Federal pela imprensa. Acrescentou da mesma forma que a proposta dependia integralmente da análise prévia dos órgãos reguladores. “Conduzimos todas as etapas com transparência, responsabilidade e observância às normas legais”.
Um executivo ligado à instituição financeira disse que a Fictor teria assim cometido uma falha grave ao não analisar a proposta antes de optar pela liquidação do Master. A defesa de Vorcaro afirmou que ele estava à disposição para colaborar com as autoridades.
Vazamento de informação e tentativa de fuga
Para os investigadores, houve vazamento da ordem de prisão e da intenção do Banco Central de liquidar o Master. Com isso, Vorcaro acelerou a montagem da operação de compra para sobretudo justificar uma viagem ao exterior. Embora a defesa do banqueiro argumente que ele seguiria rumo a Dubai para fechar o negócio com a Fictor, a apuração indica outro caminho.

Fontes que participam das investigações relatam que o jato no qual ele embarcaria seguiria para Malta, pequeno país no sul da Europa. A reunião da diretoria do Banco Central que decidiu encerrar as operações do Master também ocorreu na segunda-feira, em votação sigilosa.
Leia também: “O fiasco da COP30”, reportagem publicada na Edição 296 da Revista Oeste
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal identificaram desvios bilionários relacionados à compra de carteiras de crédito do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O Banco Central já havia barrado, em setembro, a tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
De acordo com os investigadores, o BRB transferiu R$ 12,2 bilhões ao Master sem justificativa técnica. Parte dos repasses teria ocorrido antes mesmo do anúncio de intenção de compra, em março, e continuado até maio deste ano. Desse montante, R$ 6,7 bilhões seriam referentes a contratos fraudulentos. Outros R$ 5,5 bilhões resultariam do pagamento de valores correspondentes ao suposto preço das carteiras acrescido de bônus.
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