Uma das últimas medidas de Fernando Haddad (PT) como ministro da Fazenda foi a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a elevação para 50% do imposto de exportação deste combustível. Ele já estava tentando antecipar, para a próxima gestão, ações para controlar a inflação devido à alta do petróleo no exterior, em meio à guerra no Irã.
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Haddad deixou o cargo, na sexta-feira 20, e comemorou o fato de a inflação estar sob controle. Em março de 2026, a inflação acumulada nos últimos 12 meses desacelerou para 3,81%, abaixo dos 4% observados desde maio de 2024.
Muito em função da alta do barril do petróleo, porém, três dias depois de ele deixar o cargo, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, subiu de 4,1% para 4,17% em 2026.
Tal perspectiva pode ser um sinal de que somente a redução de impostos não será suficiente para garantir uma inflação dentro da meta. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
“[A isenção] Tem efeito, mas não compensa”, afirma a Oeste o economista Francisco Pessoa Faria, sócio da Logos Economia. “Além disso, é preciso lembrar que o petróleo é matéria-prima de muitos produtos que importamos. È muito difícil que o Brasil não sinta, ao menos no momento, alguns dos prejuízos causados pela elevação da cotação da commodity.”
Petróleo e redução de juros
Para Faria, o início da guerra, apesar de todas as consequências para o preço das commodities ligadas à energia, impediu o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa de juros para 14,75% a.a. Foi o primeiro corte desde maio de 2024, depois de cinco reuniões que mantiveram a taxa em 15% a.a.
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“A economia brasileira já vem mostrando sinais de desaceleração, e as expectativas de inflação estavam confluindo para um nível mais próximo do centro da meta”, ressaltou Faria, que também é pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).
“O choque energético gera incerteza sobre a condução da política monetária e da inflação, mas, em geral, choques de oferta dessa magnitude não são combatidos com aumento das taxas juros, ainda mais quando já somos ‘campeões mundiais’. Dessa forma, o Copom, em decisão correta, esperou para ver o que irá acontecer.”






































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