publicidade
Economia

Petróleo: alta deverá repercutir na economia brasileira

Economista Francisco Pessoa Faria afirma a Oeste que isenção de impostos tem efeito, mas não compensa a alta do preço do petróleo

Petróleo guerra preço barril
Petróleo é matéria-prima de muitos produtos importados pelo Brasil | Foto: Reprodução/Pixabay

Uma das últimas medidas de Fernando Haddad (PT) como ministro da Fazenda foi a isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e a elevação para 50% do imposto de exportação deste combustível. Ele já estava tentando antecipar, para a próxima gestão, ações para controlar a inflação devido à alta do petróleo no exterior, em meio à guerra no Irã.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Receba nossas atualizações

Haddad deixou o cargo, na sexta-feira 20, e comemorou o fato de a inflação estar sob controle. Em março de 2026, a inflação acumulada nos últimos 12 meses desacelerou para 3,81%, abaixo dos 4% observados desde maio de 2024.

Muito em função da alta do barril do petróleo, porém, três dias depois de ele deixar o cargo, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, subiu de 4,1% para 4,17% em 2026.

Tal perspectiva pode ser um sinal de que somente a redução de impostos não será suficiente para garantir uma inflação dentro da meta. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

“[A isenção] Tem efeito, mas não compensa”, afirma a Oeste o economista Francisco Pessoa Faria, sócio da Logos Economia. “Além disso, é preciso lembrar que o petróleo é matéria-prima de muitos produtos que importamos. È muito difícil que o Brasil não sinta, ao menos no momento, alguns dos prejuízos causados pela elevação da cotação da commodity.”

Petróleo e redução de juros

Para Faria, o início da guerra, apesar de todas as consequências para o preço das commodities ligadas à energia, impediu o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa de juros para 14,75% a.a. Foi o primeiro corte desde maio de 2024, depois de cinco reuniões que mantiveram a taxa em 15% a.a.

Leia também: “A bomba-relógio fiscal de Haddad”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 308 da Revista Oeste”

“A economia brasileira já vem mostrando sinais de desaceleração, e as expectativas de inflação estavam confluindo para um nível mais próximo do centro da meta”, ressaltou Faria, que também é pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre).

“O choque energético gera incerteza sobre a condução da política monetária e da inflação, mas, em geral, choques de oferta dessa magnitude não são combatidos com aumento das taxas juros, ainda mais quando já somos ‘campeões mundiais’. Dessa forma, o Copom, em decisão correta, esperou para ver o que irá acontecer.”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.