A Novonor, antiga Odebrecht, firmou acordo de exclusividade com a gestora IG4 Capital para negociar a venda de sua fatia na Braskem. Caso a operação, anunciada nesta segunda-feira, 15, seja concluída, a IG4 passará a compartilhar o comando da empresa com a Petrobras, que é a segunda maior acionista da companhia.
Pelo acordo, a Novonor comprometeu-se a transferir sua participação para um fundo gerido pela IG4, o que deixará a gestora com 50,111% do capital votante e 34,323% do capital total da Braskem. A transação, que envolve aproximadamente R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da petroquímica, reduzirá a fatia da Novonor para cerca de 4%.
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A efetivação do negócio depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica e de outras autoridades regulatórias. Está previsto que, depois de concluída a operação, IG4 e Petrobras celebrem um novo acordo de acionistas para estabelecer o controle da Braskem, sem a participação da Novonor. Segundo a gestora, a transação é apenas societária e não implica alterações imediatas na gestão operacional.

O contrato firmado determina um período de exclusividade de 60 dias para a formalização do negócio, que pode resultar na transferência do controle da Braskem para a IG4. A negociação contou com o aval dos cinco principais credores da Novonor: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento.
A entrada de um novo controlador pode trazer alívio financeiro e novas perspectivas para a Braskem, que enfrenta margens reduzidas e passivos ligados a danos ambientais de operações em Maceió. Depois do anúncio do acordo, as ações da empresa subiram 4,16% na bolsa brasileira, cotadas a R$ 8,16.
Endividamento e escândalos da Braskem
No final de 2023, surgiram informações de que governo federal e bancos planejavam transferir a participação da Novonor na Braskem para um fundo privado, em tentativa de solucionar o endividamento do grupo, agravado desde o escândalo da Lava Jato, quando as ações da Braskem garantiram dívidas de R$ 15 bilhões. O valor é superior ao da própria companhia.
No contexto da Lava Jato, a Braskem assinou acordos de leniência com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça. A empresa admitiu envolvimento em corrupção e comprometeu-se a pagar R$ 3,1 bilhões em multas, conforme termo celebrado em 2016.

Em 2019, a petroquímica fechou novo acordo com a Controladoria-Geral da União, no valor de R$ 2,8 bilhões, com previsão inicial de quitação até janeiro de 2024. O prazo foi posteriormente estendido até 2030.
A Novonor vem tentando se desfazer do controle da Braskem há anos, sem êxito em tentativas anteriores, como as negociações com o empresário Nelson Tanure. O acerto com a IG4 representa a mais recente investida nesse sentido.
A gestora declarou que pretende manter a atual equipe de gestão da Braskem, a fim de assegurar a continuidade das operações, segundo o jornal Folha de S.Paulo. A IG4 disse também já conduz estudos para apoiar um amplo plano de reestruturação da empresa.





































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