publicidade
Economia

Investida do TCU contra o BC preocupa mercado, que teme aumento do 'risco Brasil'

Desdobramentos do caso Master elevam cautela de investidores brasileiros

Incerteza econômica continua prevalecendo no mercado brasileiro, diz FGV | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Incerteza econômica continua prevalecendo no mercado brasileiro | Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O caso que envolve o Banco Master passou a influenciar o mercado financeiro brasileiro com a investida do Tribunal de Contas da União (TCU) contra o Banco Central (BC), movimento que elevou a cautela de investidores e provocou uma busca, ainda que limitada, por mecanismos de proteção.

O episódio coincidiu com a alta do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, segundo apuração do Valor Econômico publicada nesta quinta-feira, 8. O CDS é um contrato usado como proteção contra o risco de calote de um país e, por essa razão, costuma ser interpretado como uma medida do chamado “risco país”.

Receba nossas atualizações

Leia mais notícias de Economia em Oeste

Até então, de acordo com o jornal, os participantes do mercado acompanhavam com atenção os desdobramentos do caso, mas o tema não havia sido incorporado aos preços dos ativos. Esse cenário mudou depois da atuação do ministro do TCU Jonathan de Jesus contra o BC, o que levou investidores a adotar estratégias de proteção nos mercados domésticos.

No geral, as movimentações observadas na bolsa de valores, no câmbio e nos juros foram atribuídas por agentes do mercado a um ajuste técnico. Ainda assim, o comportamento do CDS de cinco anos do Brasil chamou atenção das tesourarias de bancos locais. Nesta quarta-feira, 7, o indicador subiu 2,5% e passou de 136,8 pontos para 140,2 pontos.

Na manhã desta quinta-feira, o movimento de alta dos spreads continuava, ainda que sem grande intensidade. De acordo com dados da S&P Global Market Intelligence, o CDS de cinco anos subia a 140,32 pontos, maior nível desde 19 de dezembro, e desfez o breve alívio observado nas primeiras sessões deste ano.

Leia mais:

Mercado precifica efeitos sobre a curva de juros

Uma eventual reversão da liquidação extrajudicial do Master, conduzida pelo BC, é considerada por participantes do mercado como um fator de risco institucional. Segundo agentes ouvidos pelo Valor, esse cenário poderia enfraquecer o poder institucional do BC e aumentar a insegurança jurídica.

“Tenho recebido ligações de bancos estrangeiros tentando entender a situação”, comentou um executivo do setor financeiro. “É até difícil explicar que no Brasil algumas leis podem ser quase que ‘revertidas’, mesmo por tribunais de contas, não é nem pelo Supremo.”

O ministro Jhonatan de Jesus TCU
O ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso do Banco Master no Tribunal de Contas da União (TCU) | Foto: Reprodução/ TCU

Houve também avaliações de que o aumento do CDS pode ter provocado algum grau de contaminação sobre os ativos domésticos, especialmente na curva de juros. A curva ganhou inclinação, com alta das taxas de longo prazo, movimento que reflete maior percepção de risco em prazos mais extensos.

Parte dos agentes, no entanto, lembrou que o mercado passava por ajustes antes do lançamento de um novo título prefixado de longo prazo pelo Tesouro Nacional. “A ponta longa provavelmente ajustou risco para o leilão e para alguns receios ligados à liquidação do Master feita pelo BC no ano passado”, afirmou o trader de renda fixa da tesouraria de um grande banco.

Outro profissional do mercado reforçou a existência de ruídos. “Há algum burburinho de que essa liquidação estaria distorcendo os níveis de CDS e contaminando o mercado de juros”, disse o trader de renda fixa de uma importante instituição financeira local. Para ele, contudo, a estreia do título prefixado foi o principal fator a explicar a alta dos juros longos registrada na sessão anterior e o consequente aumento da inclinação da curva.

Leia também: “Anatomia de uma fraude”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste

1 comentário
  1. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    De acordo com o brilhante antônio da silva (contém ironia), são “especuladores”.

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade