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Economia

Fim de incentivos fiscais pode reforçar caixa do governo em R$ 35 bilhões

Encerramento programado de benefícios como Perse e desoneração da folha deve aliviar a arrecadação a partir de 2027

Cumpom fiscal
O valor representa pouco mais da metade da arrecadação estimada com o aumento do IOF | Foto: Reprodução/Flickr

O governo federal pode receber um reforço de pelo menos R$ 35 bilhões nos próximos anos com o fim de incentivos fiscais que já têm data marcada para acabar. O jornal Folha de S.Paulo divulgou as informações nesta terça-feira, 3.

A lista inclui programas como o Perse, voltado ao setor de eventos, e a desoneração da folha de pagamento para empresas e municípios — dois dos maiores alvos da equipe econômica.

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Esses benefícios expiram até 2027. O encerramento, no entanto, não resolve os desafios fiscais de curto prazo, especialmente o cumprimento das metas do arcabouço fiscal em 2025 e 2026.

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O valor representa pouco mais da metade da arrecadação estimada com o aumento do IOF, que o governo ainda tenta aprovar no Congresso. O Planalto conta com o apoio da Lei Complementar 211/2024, sancionada em dezembro.

A norma impede a criação ou renovação de incentivos fiscais caso o governo central registre déficit primário, situação prevista para 2025 e 2026.

O mesmo bloqueio se aplica se o projeto de Orçamento indicar queda nominal nas despesas discricionárias, não obrigatórias, o que passa a valer a partir de 2027.

Enquanto persistirem esses dois cenários, déficit primário e corte nas despesas discricionárias, o governo fica legalmente impedido de ampliar ou prorrogar qualquer benefício fiscal.

A medida atinge tanto incentivos convencionais quanto isenções que não aparecem nas contas da Receita como renúncia fiscal, como a proposta de correção da tabela do Imposto de Renda.

Renúncias somam R$ 81 bilhões até 2027 e podem chegar a R$ 800 bilhões

Um levantamento da consultoria SBSA com base no Orçamento de 2025 mostra que os incentivos com data para expirar somam R$ 81 bilhões.

A cifra inclui desonerações sobre Imposto de Renda, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Importação. Contudo, não abrange benefícios de PIS/Cofins nem IPI, que terminarão por força da reforma tributária.

Segundo a União, os R$ 536 bilhões em gastos tributários estimados para 2025 representam 4% do PIB. A equipe econômica, porém, acredita que o número real pode chegar a R$ 800 bilhões.

O dado inclui renúncias permanentes, como as deduções médicas no Imposto de Renda, que custam R$ 26 bilhões por ano — seis vezes mais que os abatimentos com educação.

Empresários pressionam governo por renovações no Congresso

Empresários de setores beneficiados já articulam com o Congresso a prorrogação dos programas. O Perse, por exemplo, esgotou os recursos previstos antes mesmo do fim do primeiro semestre e tem apoio suprapartidário para ser estendido.

A desoneração da folha segue o mesmo caminho: embora tenha prazo final em 2027, os setores contemplados já se mobilizam para manter a política. Entre os favorecidos estão segmentos como call center, calçados, construção civil, confecção, vestuário e comunicação.

Para o advogado Eduardo Szazi, sócio da SBSA, a nova legislação trata todos os incentivos da mesma forma, sem considerar o impacto social ou econômico de cada programa.

“Vejo com bastante apreensão esse cerco aos incentivos fiscais”, disse Eduardo. “Tem uma série de coisas que geram atividade econômica cujo objetivo não é só economizar impostos, mas também investir em atividades geradoras de emprego, renda e benefício social.”

+ Leia também: “Governo federal gastou R$ 3,5 bi com viagens sigilosas de servidores desde 2014”

A proposta do governo, em contrapartida, é impedir a criação de novos benefícios sem contrapartida fiscal — princípio que ganhou força diante da pressão para cortar gastos e atingir as metas do novo arcabouço.

1 comentário
  1. FLAVIO AUGUSTO ROSSI
    FLAVIO AUGUSTO ROSSI

    Mais um tiro no pé.
    Esperto é o gato que nasceu de bigodes … esses aí são muito burros.

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