Autoridades financeiras identificaram indícios de fraude na proposta de aquisição do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Master mesmo durante o período em que o Banco Central (BC) monitorava de perto a transação. A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) teve início diante de denúncias do próprio BC.
Em nota oficial, o BRB declarou que “sempre atuou em conformidade com as normas de compliance e transparência, prestando regularmente informações ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil sobre todas as operações relacionadas ao Banco Master”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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Paulo Henrique Costa, presidente afastado do BRB, afirmou ter identificado divergências documentais nas operações no primeiro quadrimestre, notificou o BC sobre a questão e promoveu, “em sua grande maioria”, a substituição das carteiras envolvidas.

O processo judicial detalha exemplos de fraudes, como a venda de carteiras de crédito inexistentes ao Master — que não fez nenhum desembolso, mas ganhou R$ 12,2 bilhões —, além do uso de empresas de fachada. Uma dessas empresas, controlada por um ex-funcionário do Master, teve capital elevado de R$ 100 para R$ 30 milhões dois dias antes de firmar contrato com o banco.
As apurações apontam ainda manipulação contábil e falsificação de documentos, o que permitiu que ambos os bancos aparentassem estar em conformidade com as normas do BC. O limite de exposição do BRB era de R$ 753 milhões, o que, segundo as autoridades, impediria operações do porte de R$ 12,2 bilhões em empréstimos ou depósitos interbancários (DIs) ao Master.
De acordo com decisão do juiz responsável, mesmo depois de “ter ciência de que as operações estavam sendo monitoradas pelo Banco Central, o BRB continuou realizando repasses bilionários ao Banco Master” em virtude de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) originadas por terceiros. Entre abril e maio, essas operações totalizaram R$ 4,05 bilhões em CCBs, uma espécie de título de dívida, transferidas ao Master.

O BC ressaltou, em decisão judicial, que o BRB fez registros contábeis sem respaldo documental para manter o índice de Basileia. Segundo o órgão, a regularização dos documentos contábeis foi determinada, mas até o momento não ocorreu.
Ascensão e dificuldades do Banco Master
A trajetória do Banco Master começou em 2017, quando Daniel Vorcaro adquiriu participação no então Banco Máxima, que já estava sob investigação policial. O funcionamento sob a nova direção dependeu de autorização do BC.
Em 2021, o banco mineiro passou a se chamar Master e acelerou sua expansão com emissões de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de juros elevados e aquisição de ativos de risco. A promessa de altos rendimentos vinha acompanhada, nas peças de propaganda, da garantia de proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
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No decorrer de 2024, bancos de grande porte restringiram a venda de CDBs do Master devido ao risco para o FGC, o que comprometeu a liquidez da instituição. O Master acumulou até R$ 50 bilhões em CDBs e DIs. Em julho de 2024, iniciou-se a venda de carteiras de crédito consignado ao BRB, e, paralelamente, letras financeiras foram destinadas a fundos de pensão, como o RioPrevidência.
A crise financeira do Master se agravou, culminando na criação da Tirreno Consultoria em novembro de 2024. A consultoria, dirigida por André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Master, teria sido usada para intermediar operações suspeitas com o BRB. Em nota, a Cartos, empresa à qual Maia também está vinculado, declarou que está à disposição das autoridades e reitera não ter relações operacionais com o Banco Master, além de negar irregularidades.
Em 2025, a venda de consignado ao BRB se intensificou. O BC identificou, em 17 de março, o aumento das operações, que entre junho de 2024 e outubro de 2025 somaram R$ 16,7 bilhões. Apenas nos cinco primeiros meses de 2025, o volume chegou a R$ 12,2 bilhões. Em 29 de março, o BRB anunciou a compra parcial do Master por R$ 2 bilhões.

Durante a análise do BC, técnicos constataram cessão irregular de créditos e escrituração inadequada, o que comprometeu a veracidade do balanço do Master. Cerca de R$ 12 bilhões dos R$ 50 bilhões emitidos estariam descobertos em razão de ativos de baixa liquidez. O BC apurou ainda que o Master tentou justificar a operação alegando ter adquirido créditos da Tirreno, mas não houve transferência de recursos entre as partes.
A análise de 30 CPFs cedidos pela Tirreno não encontrou correspondência financeira. Com a aquisição do Master, o BRB buscaria diluir a carteira de crédito fictícia e negociar ativos de valor real. O BC questionou a compra e solicitou informações adicionais, o que levou o BRB a anunciar redução no escopo da aquisição. Posteriormente, o BC vetou a transação, no início de setembro.
Diante da reprovação, o proprietário do Master vendeu ativos e tentou obter apoio do FGC. Na última terça-feira, 18, o BC determinou a liquidação do Master e a prisão de Daniel Vorcaro, enquanto Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB. As motivações do BRB ainda não foram esclarecidas pelo BC, Justiça e PF, mas o caso pode avançar para uma ação criminal.







































Será que o atual pres do banco central, Galipolo, por sinal petista, fez vista grossa??