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Economia

EUA poupam mais de 40% das exportações do Brasil

Café, carne bovina, frutas e calçados seguem como os mais prejudicados pela nova alíquota de 50%

Donald Trump projeto nuclear Irã
Apesar das isenções, os EUA decidiram aplicar a tarifa máxima sobre dois dos principais produtos brasileiros | Foto: Reprodução/Instagram Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou, nesta quarta-feira, 30, novas tarifas que afetarão uma parcela expressiva das exportações brasileiras. A alíquota de 50% incidirá sobre a maioria dos produtos enviados aos EUA, mas o governo norte-americano excluiu 694 itens da medida.

As isenções preservam 43,4% das exportações do Brasil, segundo a Câmara Americana de Comércio. Em valores, isso representa US$ 18,4 bilhões em produtos poupados da sobretaxa, de um total de US$ 42,3 bilhões exportados em 2024.

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O setor energético lidera entre os beneficiados. Apenas em 2024, o Brasil enviou mais de US$ 8,5 bilhões em combustíveis aos EUA. A nova regra exclui 76 derivados da categoria, entre eles petróleo bruto, querosene, gás natural, lubrificantes e betume.

A indústria aeronáutica também evitou a sobretaxa. Foram 22 produtos isentos, somando US$ 2 bilhões em exportações no ano passado. A lista inclui aeronaves inteiras, motores, peças e simuladores, garantindo fôlego a empresas como a Embraer e sua cadeia de fornecedores.

Outros segmentos beneficiados foram o automotivo — com isenção para veículos e componentes — e parte do agronegócio, como suco de laranja, castanhas, madeira tropical e fertilizantes. A área de mineração também aparece entre as exceções, com produtos como silício, ferro-gusa, ouro e ferroníquel fora da nova alíquota.

Café e carne bovina entram na mira dos EUA

Apesar das isenções, os EUA decidiram aplicar a tarifa máxima sobre dois dos principais produtos brasileiros: café e carne bovina. Juntas, essas exportações renderam cerca de US$ 3 bilhões ao Brasil em 2024.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o país exportou US$ 1,89 bilhão em café no ano passado, o equivalente a 4,7% do total vendido ao exterior. A nova tarifa pode comprimir margens e encarecer o produto nos supermercados norte-americanos.

No caso da carne bovina, o impacto será semelhante. As exportações para os EUA somaram US$ 944 milhões. Empresas com unidades no território norte-americano, como JBS e Marfrig, poderão amortecer parte das perdas, mas o setor como um todo já prevê retração nas receitas.

Outros setores atingidos

Além do café e da carne, a nova alíquota afetará diretamente as exportações de frutas, calçados, móveis e têxteis. Apenas itens específicos, como fios de sisal e móveis para aviões, escaparam da cobrança.

Por sua vez, a indústria calçadista, que depende do mercado norte-americano para manter seu ritmo de vendas, prevê queda nos embarques e aumento de estoques. No setor têxtil, a concorrência internacional deve se intensificar ainda mais com o encarecimento dos produtos brasileiros.

+ Leia também: “Haddad diz que o Brasil vai recorrer ao tarifaço dos EUA: ‘Somos a democracia mais consolidada do mundo'”

A tarifa entra em vigor em 6 de agosto e deve redesenhar o perfil das exportações brasileiras para os EUA. Empresários e entidades do setor produtivo já se mobilizam para buscar alternativas e negociar com a Casa Branca ajustes na lista de exceções.

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